O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, esteve no Vaticano neste sábado (19) para uma série de reuniões com autoridades da Igreja Católica, marcando o primeiro contato direto entre o governo Trump, em seu segundo mandato, e a cúpula da Santa Sé. A visita ocorre em um momento de forte tensão entre as duas instituições, em especial por conta da repressão à imigração e dos cortes em programas de assistência promovidos pela Casa Branca.
Vance, católico convertido em 2019, reuniu-se com o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, e outros representantes da Igreja. De acordo com nota divulgada após o encontro, as conversas foram “cordiais” e abordaram a situação internacional, com foco em países afetados por guerras, crises humanitárias e, especialmente, a situação de migrantes, refugiados e prisioneiros.
O papa Francisco não participou da reunião, por recomendação médica, enquanto se recupera de uma pneumonia dupla. Mesmo ausente, sua postura crítica ao governo Trump esteve presente nas discussões. Em fevereiro, o pontífice classificou como “vergonhosa” a repressão imigratória defendida por Trump e rebatida por Vance com base em doutrinas medievais da Igreja. Em carta aberta aos bispos estadunidenses, o papa alertou que “o que é construído com base na força, e não na verdade sobre a igual dignidade de cada ser humano, começa mal e terminará mal”.
Além da política migratória, os cortes promovidos pela administração Trump em programas de ajuda externa também geraram atritos. O braço de caridade global da Igreja classificou as medidas como “catastróficas”. A Conferência dos Bispos dos EUA anunciou recentemente o fim de uma parceria de 50 anos com o governo federal na assistência a migrantes e refugiados.
“Rezamos para que a reunião resulte em um diálogo positivo e envolvente”, afirmou Chieko Noguchi, porta-voz dos bispos dos EUA. Segundo o Vaticano, foi expressada “a esperança de uma colaboração serena” entre a Igreja e o governo dos EUA.
A visita de Vance ao Vaticano incluiu ainda a participação em uma cerimônia religiosa na Basílica de São Pedro, junto de sua família, durante o fim de semana da Páscoa. Observadores apontam que, apesar das divergências, a relação entre Igreja e governo dos EUA permanece como uma prioridade estratégica para ambos os lados.
Com informações do 247.





