O valor desembolsado pelo BNDES para apoiar exportações já supera todo o montante disponibilizado em 2022 com a mesma finalidade, de acordo com o presidente da instituição Aloizio Mercadante. A perspectiva é que, com a redução da taxa de juros a partir de agosto, os financiamentos sejam ainda mais procurados.
— O BNDES tem expectativa promissora para o segundo semestre. Já financiamos mais exportações que em todo o ano passado. A mesma coisa vai acontecer com infraestrutura — acrescentou. — E o BNDES ainda não recebeu nenhum subsídio.
A declaração foi dada durante a abertura da conferência “Ambição Brasileira: Infraestrutura e Transição Climática”, que ocorreu nesta terça-feira.
Nos seis primeiros meses de 2023, foram 670 milhões de dólares destinados a exportações, contra 627 milhões de dólares entre janeiro e dezembro do ano passado.
O diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES Jose Luis Gordon, destacou a importância da atividade de exportação para que o país se torne mais competitivo:
— Precisamos exportar, ganhar mercado. Temos só 1,5% do total do mercado de exportação no Brasil. O restante está fora. Então, precisamos que as empresas ganhem competitividade.
Segundo Gordon, o valor destinado pela instituição para exportações saiu de R$ 10 bilhões em 2010 para menos de R$ 600 milhões. O desembolso do BNDES para o setor industrial, que chegou a ser 45% do volume total ofertado pelo banco entre 2000 e 2010, caiu para 18% nos últimos seis anos. No caso de inovação, o montante reservado passou de 6% para menos de 1%, no mesmo intervalo de comparação.
— O BNDES perdeu seu papel de apoiar o setor industrial e agora vai voltar a ter papel estratégico nisso — declarou.
O objetivo para os próximos meses, de acordo com o diretor, é estimular o desenvolvimento de uma agroindústria sustentável e digital; favorecer a produção de insumos fármacos no Brasil para diminuir a dependência estrangeira; apoiar a infraestrutura e a mobilidade sustentável, com linhas de financiamento específicas para carros e ônibus elétricos; e priorizar a agenda de bioeconomia e transição energética.
Gordon ainda apontou a necessidade do crescimento da indústria de transformação digital local:
— Temos que ter uma indústria relacionada à manufatura 4.0, à internet das coisas, à inteligência artificial. Você aumenta a produtividade, a eficiência do uso de recursos.
Com imformações do GLOBO.





