A suspensão temporária da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan gerou dúvidas entre pessoas que já receberam o imunizante e também entre aqueles que acompanham a estratégia nacional de combate à doença. A decisão foi anunciada pelo Ministério da Saúde e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após o registro de 42 eventos adversos considerados raros, incluindo dois óbitos que seguem sob investigação.
Segundo as autoridades sanitárias, a medida tem caráter preventivo e foi adotada para permitir uma análise mais aprofundada dos casos identificados pelo sistema de farmacovigilância.
Embora a aplicação da vacina do Butantan tenha sido interrompida, a vacinação contra a dengue continua no país com a vacina da farmacêutica Takeda destinada a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Leia 10 perguntas importantes sobre a suspensão, compiladas pela reportagem de O Globo.
1. Por que a vacina do Butantan foi suspensa?
A interrupção ocorreu após o sistema de monitoramento de segurança identificar reações adversas graves que não haviam sido observadas durante os estudos clínicos realizados antes da aprovação do imunizante.
O objetivo da medida é permitir uma investigação detalhada dos casos e verificar se existe alguma relação entre os eventos registrados e a vacina.
2. Quantos casos chamaram a atenção das autoridades?
Entre janeiro e maio, mais de 501 mil doses da vacina foram aplicadas.
Nesse período, foram registrados 3.703 relatos de sintomas semelhantes aos da dengue após a vacinação.
Dentre esses registros, 42 apresentaram sinais considerados de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Três deles foram classificados como graves.
3. As mortes foram causadas pela vacina?
Até o momento, não há comprovação de que os dois óbitos tenham sido provocados pelo imunizante.
Os casos ocorreram após a vacinação, mas ainda estão sendo analisados por especialistas para determinar se existe ou não uma relação de causa e efeito.
As autoridades reforçam que os episódios permanecem em investigação.
4. Quais foram os casos graves registrados?
Um dos pacientes apresentou sintomas compatíveis com dengue grave poucos dias após a vacinação, precisou ser internado em unidade de terapia intensiva e recebeu alta posteriormente.
Os outros dois casos envolveram um homem de 58 anos e uma mulher de 48 anos, que evoluíram para quadros graves e morreram.
As investigações buscam identificar possíveis fatores associados às ocorrências.
5. O que os estudos mostraram sobre a segurança da vacina?
Antes de ser aprovada, a vacina foi testada em quase 11 mil voluntários brasileiros.
Os resultados apontaram redução de 80,5% nos casos graves de dengue e nos quadros com sinais de alarme ao longo de cinco anos.
Os estudos também indicaram um perfil de segurança considerado positivo, com reações geralmente leves, como dor de cabeça, fadiga, coceira e dores musculares.
6. Quem estava recebendo a vacina suspensa?
A vacina vinha sendo aplicada em projetos-piloto realizados nos municípios de Maranguape (CE), Nova Lima (MG), Botucatu (SP) e na região de Araguaína (TO).
Além disso, profissionais da atenção primária à saúde com idade entre 15 e 59 anos estavam sendo imunizados em todo o país.
Esse grupo concentrou a maior parte das doses aplicadas até agora.
7. O que quem tomou a vacina deve observar?
O Ministério da Saúde orienta atenção especial para pessoas vacinadas nos últimos 21 dias.
Caso ocorram sintomas intensos ou persistentes, a recomendação é procurar atendimento médico.
Os principais sinais de alerta são:
- Febre
- Dor abdominal intensa e contínua
- Vômitos persistentes
- Tontura
- Sangramentos
- Sonolência excessiva
- Irritabilidade
- Sinais de desidratação
- Piora do estado geral
8. O que diz o Instituto Butantan?
O instituto informou que continuará colaborando com o Ministério da Saúde e a Anvisa durante todo o processo de investigação.
A entidade também destacou que não foram identificados casos graves relacionados à vacinação nos municípios onde ocorreram campanhas de imunização em massa.
A expectativa é que, caso a segurança seja confirmada, a vacinação possa ser retomada futuramente.
9. Crianças receberam a vacina do Butantan?
Não.
Apesar de a autorização da Anvisa contemplar pessoas de 12 a 59 anos, a estratégia em andamento utilizava o imunizante apenas em indivíduos a partir dos 15 anos.
Por isso, crianças não fizeram parte da vacinação atualmente suspensa.
10. Qual vacina contra a dengue continua disponível no Brasil?
A vacina da Takeda segue sendo aplicada normalmente pelo Sistema Único de Saúde.
Ela integra a campanha nacional destinada a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos e continua disponível em todos os municípios brasileiros.
Além da rede pública, o imunizante também pode ser encontrado na rede privada. Segundo o Ministério da Saúde, mais de oito milhões de doses já foram aplicadas no país.





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