Três funcionários da Prefeitura de Mangaratiba estão sob investigação por suposto envolvimento em um esquema de transferência irregular de eleitores e compra de votos. Nas eleições municipais de 2024, mais de 5 mil pessoas solicitaram a transferência de domicílio eleitoral para a cidade, o que levantou suspeitas de fraude, atualmente investigadas pelo Ministério Público e pela Polícia Federal.
O esquema envolvia a transferência de títulos eleitorais de pessoas que não residiam em Mangaratiba, em troca de dinheiro ou vantagens. Um dos investigados é Gabriel Pudó Brito de Quadros, assessor da Secretaria de Saúde, com salário de R$ 1,7 mil. Segundo a investigação, Gabriel teria participado da compra de votos na última eleição municipal, abordando eleitores pessoalmente para fazer propostas. O caso foi revelado em reportagem do Fantástico.
O RJ2 tentou localizá-lo na Secretaria Municipal de Saúde, onde está lotado, mas ele não foi encontrado. Testemunhas relataram que Gabriel frequentemente pedia encontros presenciais para tratar das propostas, o que reforça as suspeitas contra ele. As investigações continuam para apurar a extensão do esquema e os envolvidos.
“Então, você pede essa pessoa para ir na delegacia e esclarecer isso melhor, tá bom, meu amigo?”, foi a resposta dele. Gabriel nega ter relações políticas, mas fez campanha para o vereador eleito, Dr. Mair. Imagens da investigação mostram que ele dizia que tinha que fazer a proposta financeira pessoalmente.
Até março, Lucas Andrews Rosário de Miranda trabalhava como superintendente na secretaria de Governo. Ele é apontado pela investigação como um dos responsáveis a convencer eleitores a transferirem o título para votar em Mangaratiba.
O valor, para isso, girava em torno de R$ 100, e os alvos eram pessoas humildes, que muitas vezes temiam perder benefícios do governo, como o Bolsa Família, ao fazer a transferência.
Outro funcionário investigado é Luciano Messias dos Santos. Ele tem salário de R$ 3,5 mil no cargo de superintendente. Mas, em um aplicativo de mensagens ele se apresentava como o responsável pela logística no dia da votação.
Luciano prometia, além do dinheiro pelo voto no candidato indicado, uma ajuda de custo para o transporte. Nas redes sociais, nunca escondeu o apoio ao atual prefeito Alan Bombeiro (PP), em cuja prefeitura estão ou estavam abrigados suspeitos de comprarem votos para ajudar a eleger seu sucessor, o Luiz Cláudio.
Uma das eleitoras que diz ter transferido seu local de votação para Mangaratiba, no RJ, afirma que recebeu R$ 150 e uma ajuda de custo pela venda do voto. O RJ2 teve acesso a uma conversa entre ela e um operador do esquema.
“Boa noite, amiga, meu nome é Luciano, sou o responsável pela logística no dia da votação. Gostaria de alinhar a sua vinda para participar aqui em Mangaratiba. Meu contato é para entender o trabalho que meu amigo Alexandre fez e viabilizar o valor do Pix do dia do evento”, diz o homem.
“Você vai para um local onde você vai encontrar a equipe, o pessoal vai te direcionar direitinho, conduzir ao colégio, tem água gelada, tudo dinheiro, profissional, entendeu?”, explica o homem para a eleitora.
Depois, o homem aponta os nomes de quem a mulher deveria votar, incluindo o prefeito que acabou eleito, Luiz Cláudio Ribeiro. Moradora de Campo Grande, ela disse que não sabia onde seria a votação até o dia anterior.
“Eu só sabia que seria em Muriqui, mas não sabia o local de votação, não sabia nada. Nem meu título estava em minhas mãos ainda”, conta ela.
Hoje, Mangaratiba tem mais eleitores registrados do que habitantes: São 41,2 mil moradores, segundo os últimos dados do IBGE. E o número de pessoas que votam na cidade chega a 46,8 mil.
Só nos primeiros cinco meses de 2024, mais de 5,5 mil pessoaspediram à Justiça Eleitoral para transferir os títulos eleitorais para o município. Quase 1,5 mil desses pedidos foram negados por inconsistências nas informações.
A corrida para a troca de domicílio chamou a atenção da promotoria que fica próxima ao cartório eleitoral de Mangaratiba.
Com informações do g1.





