Chefão do CV debocha após ser ignorado em relatório do Ministério Público e comemora liberdade

“Professor” celebra ausência em relatório sobre facção e brinca com Abelha, seu parceiro: “Não tô na sua colmeia”

Em meio a uma investigação sobre a estrutura do Comando Vermelho (CV), o traficante Phillip da Silva Gregório, conhecido como Professor, ironizou sua ausência em um relatório do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) que identificava os principais líderes da facção. Segundo a Polícia Federal, Professor é o grande fornecedor de armas e drogas do grupo criminoso e uma figura-chave nos bastidores da organização, embora tenha ficado de fora do documento oficial.

O relatório foi produzido em abril de 2022 e listava os nomes de traficantes ligados a Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha, que à época era apontado como o principal chefe do CV em liberdade. A exclusão do nome de Professor motivou uma troca de mensagens entre os dois, revelando deboche, comemoração e sensação de impunidade.

Em uma das conversas interceptadas pelo Grupo de Investigações Sensíveis da Polícia Federal na Bahia, Professor comenta com ironia:

“Vou viajar já que vou ficar esquecido. Kkkk”.

Dias depois, em 1º de maio, Abelha envia uma matéria do jornal Extra com o mesmo organograma publicado. Professor novamente comemora o anonimato:

“Aí, eu não tô na sua colmeia (…) Sumi agora. Tudo na sua conta… Importante nós tá vivo e em liberdade”.

Esquema ignorado no papel, mas ativo no crime

Apesar de estar ausente no relatório, a Polícia Federal afirma que Professor desempenha um papel central no funcionamento do Comando Vermelho, sendo responsável pela logística de armamento e tráfico de drogas. Ele foi um dos alvos da operação Dakovo, que desvendou o envio de armamento para o Brasil. A PF aponta ainda que parte do esquema se sustenta com o pagamento sistemático de propinas a policiais militares.

Tanto Professor quanto Abelha estão foragidos da Justiça. Abelha escapou da prisão em julho de 2021, deixando o presídio Vicente Piragibe, na Zona Oeste do Rio, pela porta da frente. Na saída, chegou a cumprimentar o então secretário de Administração Penitenciária, Raphael Montenegro. Professor, por sua vez, está foragido desde setembro de 2018. Ele foi preso pela PF em 2015, mas recebeu permissão judicial para visitar a família e nunca mais retornou.

O luxo da clandestinidade

As mensagens entre os traficantes indicam não apenas o desprezo pela ação do Ministério Público, mas também uma rotina confortável, mesmo na ilegalidade. Professor havia acabado de reformar sua casa na favela, instalada com piscina, hidromassagem e até equipamentos cirúrgicos, onde ele teria realizado procedimentos como lipoaspiração, implante capilar e a retirada de estilhaços de bala.

Em uma das conversas, Abelha envia a Professor um vídeo em que ele aparece armado, em um baile funk dentro do Complexo do Alemão. Professor reage com deboche:

“Mano, tu acaba com minha vida. Vi vcs filmando. kkkk. Coe Mn. Aí não”.

O organograma do MP e os que ficaram de fora

No esquema descrito pelo MPRJ, Abelha é apontado como chefe da facção e “dono” dos complexos do Alemão e da Penha. Logo abaixo dele aparecem Edgard Alves de Andrade, o Doca da Penha ou Urso, e Luciano Martiniano, o Pezão. O grupo ainda inclui Pedro Bala como gerente do tráfico na Penha, seguido de três subgerentes — Fiel, Dulume e Botafogo — e dois vapores: Tiná e Felipe “Safadinho”.

Até a última atualização desta reportagem, o Ministério Público do Rio de Janeiro não havia se manifestado sobre o caso.

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