Depois da tempestade que atingiu São Paulo, alguns bairros da capital completaram 18h sem luz neste sábado. A Enel diz que as regiões mais afetadas foram as zonas Sul e Oeste e que ainda avalia a extensão dos danos causados. Não há, porém, um prazo para voltar à normalidade.
“Devido à complexidade do reparo e necessidade de reconstrução de trechos da rede, o restabelecimento da energia se dará de forma gradual e, em alguns casos, pode levar mais tempo”, diz o comunicado da Enel.
Vila Mariana e Alto de Pinheiros estão entre os bairros que seguem sem energia. Em alguns locais da capital, a luz voltou ainda de madrugada — no Ipiranga, por exemplo, o restabelecimento da energia ocorreu por volta das 3h30min. Segundo o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), a Sabesp trabalha para retomar o fornecimento de água, que também foi impactado pela queda de energia.
A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros registraram mais de 2 mil chamados em ocorrências em 40 municípios do estado até agora. Só na sexta-feira, o Corpo de Bombeiros foi acionado para atender a 1.281 chamados de queda de árvores e 48 de desabamentos, enchentes e alagamentos. Os estragos causados pelas chuvas foram registrados por moradores da capital, que divulgaram nas redes sociais imagens de árvores caídas sobre postes de luz e explosões em transformadores.
No Autódromo de Interlagos, onde acontece o GP de São Paulo de Fórmula 1 no domingo, torcedores filmaram o momento em que o vento arrancou algumas lonas que serviram como cobertura em arquibancadas montadas para o evento. Seis pessoas ficaram feridas, mas nenhuma com gravidade, disse a assessoria do GP. A sessão classificatória foi encerrada com bandeira vermelha por conta da forte chuva que transformou o dia em noite às 16h na zona Sul da capital paulista.
Os ventos chegaram a 103,7km/h na capital paulista, recorde histórico nos últimos cinco anos. A estação meteorológica de Santana/Tucuruvi registrou ventos de 94,1km/h, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE). O Aeroporto de Congonhas, por sua vez, teve uma das maiores medições: 103,7km/h.
Em Santos (SP), no litoral paulista, as rajadas de vento atingiram 151km/h e chegaram a ser comparadas a um furacão categoria 1 — o que, explica o diretor de Comunicação da Defesa Civil do Estado de São Paulo, Roberto Farina, não procede:
As chuvas deixaram ao menos seis mortos, de acordo com o último balanço da Defesa Civil. Na capital, duas pessoas morreram em decorrência da queda de uma árvore sobre o veículo em que estavam.
“A chuva que caiu na capital, na Região Metropolitana e Baixada Santista hoje foi excepcional. A capital paulista ficou em estado de atenção por quase duas horas. Tivemos rajadas de ventos, em alguns locais, como na região de Congonhas, que chegou a 104 km/h. Estou acompanhando as equipes, constituí um grupo de trabalho e estaremos todos empenhados para que a cidade retome a sua normalidade o quanto antes”, escreveu o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), na sexta-feira à noite.
Nas redes sociais, moradores de São Paulo acusam a Enel de desligar os canais de comunicação após a tempestade. A companhia, que é alvo de uma Comissão parlamentar de inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), foi a segunda com mais reclamações no Procon no ano passado. Em 2020 e 2021, ela ocupou a primeira posição.
“A Enel desativou o canal de SMS, um serviço simples para informar falta de luz da falecida Eletropaulo. Um canal muito funcional, que inclusive vinha com a previsão de restabelecimento”, escreveu a conta identificada como Aline Nobre. Ela está há mais de 12h sem luz.
Com informações de O Globo.





