Juiz manda Steve Bannon, ex-assessor de Trump, se entregar para cumprir 4 meses de prisão por desacato ao Congresso

Condenação se refere à recusa em cooperar com a comissão que investiga a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021

Um juiz federal dos Estados Unidos ordenou, nesta quinta-feira (6), que Steve Bannon, ex-assessor-chefe da Casa Branca durante o governo de Donald Trump, se apresente à prisão até 1 de julho para começar a cumprir sua pena de quatro meses por desacato ao Congresso, emitida em outubro de 2022. A condenação de Bannon, considerado culpado em julho, refere-se à sua recusa em cooperar com a comissão que investiga a invasão do Capitólio por apoiadores de Trump em 6 de janeiro de 2021.

Após a condenação de Bannon em outubro, o juiz Carl J. Nichols permitiu que ele permanecesse livre enquanto recorria da sentença. No entanto, no mês passado, o ex-assessor perdeu a primeira rodada desse recurso, quando um painel de três juízes de um tribunal federal de apelações em Washington decidiu que o veredito era apropriado. Seus advogados prometeram pedir ao tribunal de recursos que reconsiderasse a decisão.

Nichols revogou sua fiança, afirmando que Bannon deve começar a cumprir sua sentença em menos de quatro semanas, a menos que o tribunal de apelações completo aceite o caso e suspenda a execução da sentença.

Depois da campanha bem-sucedida de 2016, Bannon foi o principal estrategista político de Trump na Casa Branca durante os primeiros sete meses de seu governo, deixando o cargo devido a supostos conflitos com outras autoridades seniores.

Seu nome apareceu diversas vezes ao longo dos meses de trabalho da comissão da Câmara, que começou em 2021 para investigar o ataque ao Capitólio. Ele ganhou destaque quando surgiram evidências de que tinha conhecimento prévio dos planos de invasão. Na véspera do ataque, ele conversou por 11 minutos com Trump e, logo depois, participou de um programa de entrevistas na internet, onde afirmou que “todo o inferno vai acontecer amanhã”, referindo-se ao protesto convocado pelo presidente para questionar sua derrota na eleição de novembro de 2020.

Outro ponto levantado pelos deputados foi uma conversa por telefone entre Bannon e Trump no dia 30 de dezembro de 2020, quando o estrategista político pediu ao então presidente que concentrasse seus esforços “no 6 de janeiro”, dia em que o Congresso certificaria os resultados da eleição.

Após a abertura dos trabalhos da comissão, Trump pediu a seus aliados mais próximos que não cooperassem com os deputados, apelando para o “privilégio executivo”, que permite tornar sigilosas determinadas informações por questões de segurança nacional. A comissão rejeitou o argumento, alegando que Bannon não tinha funções oficiais na Casa Branca desde 2017.

A situação jurídica de Bannon provavelmente continuará depois — ou mesmo durante — seu período na prisão. Poucos meses após ser considerado culpado de desacato ao Congresso, promotores estaduais em Manhattan o acusaram de usar indevidamente o dinheiro arrecadado para um grupo que apoia o muro na fronteira de Trump. Nos últimos dias de seu mandato em 2021, Trump perdoou Bannon em um caso federal separado que envolvia acusações semelhantes.

O julgamento por fraude de Bannon está programado para ocorrer no fim deste ano no mesmo tribunal de Manhattan onde Trump foi recentemente condenado por falsificar registros comerciais para encobrir um escândalo sexual com uma ex-atriz pornô que ameaçou sua candidatura à presidência em 2016.

Com informações de O Globo.

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