Sabe esses dias em que horas dizem nada? Aqui é assim mesmo o tempo todo. Mas há quem goste. Engenheiro Paulo de Frontin, ou simplesmente “Rodeio” para os íntimos (explicaremos adiante) é um lugar que parece ter feito um acordo secreto com o tempo: avançou o suficiente para virar município em 1963, mas não o bastante para deixar de ser um sussurro tranquilo no mapa fluminense.
Aqui o cotidiano discorre quase em compasso de siesta, ladeado por matas da Serra do Mar que se esforçam para manter o stress urbano eternamente fora do alcance. É uma cidade cujo principal evento é não ter grandes eventos — se é que podemos considerar o título de “Cidade Verde” um “evento institucionalizado” desde 1995, graças à preservação da mata e ao clima ameno que lhe renderam o título.
Batizada em homenagem a um engenheiro que salvou a cidade do Rio de Janeiro de uma seca braba em apenas seis dias, a cidade leva o nome do herói urbano ao mesmo tempo em que preserva sua essência pacata.
Engenheiro Paulo de Frontin não é apenas um ponto no mapa: é um convite para redescobrir a arte de simplesmente existir, sem pressa, sem multidão, e com o coração pronto para se surpreender com o inesperado que só o interior fluminense pode oferecer.

História
Engenheiro Paulo de Frontin nasceu como entreposto comercial chamado Vila de Rodeio, ponto estratégico de passagem entre Minas, São Paulo e Rio, e ganhou relevância com a Estrada de Ferro Dom Pedro II no final do século XIX.
Batizou-se Soledade de Rodeio em 1943 e, três anos depois, adotou o nome atual em homenagem ao engenheiro que duplicou a ferrovia, incluindo o imponente Túnel Grande de 2245 metros. Mas a emancipação propriamente dita só chegou em 4 de outubro de 1963, quando se desmembrou de Vassouras.
Quem foi o engenheiro Paulo de Frontin?
André Gustavo Paulo de Frontin, além de nome de viaduto é nada menos que o Patrono da Engenharia Brasileira. Foi considerado herói nacional em 1888, quando uma Guanabara onde a elite ainda vestia veludo, enfrentou a combinação de uma seca prolongada com um calorão de mais de 40°C — e ele solucionou o problema de falta d’água na cidade em apenas seis dias.
É daqueles personagens históricos que empilha títulos. Foi senador, prefeito do Rio de Janeiro duas vezes e realizou obras urbanas emblemáticas, como o alargamento da Avenida Atlântica e implantação de avenidas Niemeyer e Delfim Moreira.
Por que é chamada de “Cidade Verde”?
A denominação é um reflexo da sua localização privilegiada e da sua rica biodiversidade. Engenheiro, ou Rodeio, para os íntimos, apresenta grande patrimônio florestal, com 56,4% de cobertura vegetal de Mata Atlântica, e está situado em um importante corredor ecológico que liga o Parque Estadual da Serra do Tinguá à Serra da Bocaina.
O município ocupa uma região montanhosa de beleza magnífica, com clima tropical de altitude que confere temperaturas amenas e chuvas suficientes ao longo de todo o ano. Além disso, possui reservas de Mata Atlântica onde é possível visualizar animais silvestres em seu habitat natural, cachoeiras e lagos.
O que tem para fazer por lá?
Turismo tipo “sem pressa” é o padrão local. O Cachoeirão, com duas quedas de cerca de 30 metros em meio à Mata Atlântica, é cenário perfeito para reflexão ou selfie dramática. O Pico do Lírio, com seus 600 m² de mirante, é ideal para quem quer se achar perto do céu. Nas noites límpidas, o observador pode enxergar o Cristo Redentor lá do alto.
O charmoso Lago Azul, o Parque Municipal com churrasqueiras e trilhas e a feirinha local que rola todo mês (com o tradicional combo do interior de artesanato, mel, quitutes e até cerveja artesanal) dão ao visitante a sensação de “festinha de interior com quê de festival hipster”.

Onde fica e como chegar?
Engenheiro Paulo de Frontin está na Região Centro-Sul Fluminense, rodeado por Mendes, Vassouras, Paracambi, Miguel Pereira e Japeri. Localiza-se a cerca de 90 km por estrada da Guanabara, o que de carro eleva pouco mais de uma horinha. De ônibus, há linha via Paracambi ou Mendes, com passagens que saem a partir de R$ 40.






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