Rock in Rio de volta em 2026, mas não deve ter um novo Dia Brasil, revela Roberta Medina

Empresária avalia positivamente limpeza e a variedade de gêneros apresentada pelo festival

“Da Área Vip do Rock in Rio, entre os shows de Ney Matogrosso, no Sunset, e o rapper Ne-Yo, no Palco Mundo, Roberta Medina tenta assistir algo das apresentações enquanto resolve demandas do festival. Tem sido assim nas últimas duas semanas, nas quais cerca de 700 mil pessoas passaram pela Cidade do Rock, sede do evento criado por seu pai, o publicitário e empresário Roberto Medina em 1985.

Vice-presidente de reputação da Rock World, empresa por trás do Rock in Rio e do The Town, em São Paulo, e que produz o Lollapalooza, Roberta avalia positivamente a edição comemorativa de quatro décadas do festival, mesmo enfrentando percalços, como os problemas de telão de Travis Scott, logo na primeira noite, na sexta-feira (13), e os atrasos em sequência do Dia Brasil, no último sábado (21), causando a ausência do cantor Luan Santana do show Para Sempre: Sertanejo, ao deixar o Rio para atender a uma apresentação agendada em Santa Catarina.

— Foi uma pena, mas ele (Luan Santana) não podia ficar. Num evento deste tamanho, é impossível controlar tudo. Como o caso do telão, que estava na mão deles (a produção de Travis Scott). Mas depois tudo correu bem, a experiência foi ótima — diz Roberta, confirmando o Rock in Rio em 2026. — Claro, em 2026 teremos Rio e Lisboa. Não estamos aí inventando o (parque temático) Imagine para ser para sempre? Então, é para sempre.

Sobre o Dia Brasil, que reuniu em todos os palcos diferentes vertentes da música brasileira, como rock, samba, funk, trap e sertanejo, a empresária avalia que a experiência valeu como comemoração, mas que não deve mais se repetir no mesmo formato.

— Queríamos fazer uma celebração da música brasileira, o que gerou uma logística desafiadora pelo número de pessoas envolvidas. Eram mais de duas mil pessoas no backstage, sendo 2 mil só para dar conta dos artistas. O que acabou gerando alguns problemas, mas no fim foi bem recebido, tivemos nota 9 na avaliação do público. Os encontros nos palcos vão seguir, seguramente, mas sem tanta gente junta ao mesmo tempo — comenta Roberta, celebrando a variedade de gêneros destacada na edição de 2024. — A nossa curadoria é um reflexo do que o consumidor quer, do que a sociedade gostaria de ver. Tem o olhar atento aos talentos, à tentativa de jogar luz em novos nomes, mas é uma seleção sempre conectada com o que o público espera.

Durante uma das apresentações mais aguardadas do último sábado, o show Para Sempre: Trap, repercutiu um momento em que MC Cabelinho e MC Veigh exibiram no palco armas de brinquedo, com bolas de gel de munição. Roberta diz não ter visto a cena:

— Eu não vi, ainda bem. É uma coisa pessoal, não gosto de deixar meu filho brincar com armas de brinquedo. Todos estes nomes são gigantes, eu respeito pra caramba e não seria capaz de falar da realidade deles. Só acho que quando você ganha uma projeção em determinada escala, é preciso entender o tamanho da responsabilidade que se tem com o público, com a quantidade de pessoas que você está falando. Mas isso vem com a maturidade na carreira, você vai compreendendo esse lado.

A empresária celebra outros pontos que considera como positivos nesta edição, como a nova configuração da Cidade do Rock, os ingressos 100% digitais e a limpeza, no que divide o mérito com o público pela adesão aos copos recicláveis vendidos no evento. A empresária defende a questão da sustentabilidade como um dos principais valores levantados hoje pelo festival, que irá promover, com o The Town, o Amazônia para Sempre, apresentação especial em um palco flutuante em 2025 em Belém (PA), onde acontece a Conferência do Clima (COP 30).

— O show em Belém vai ser incrível, mas ele é o final de uma história que a gente defende há anos, e que já vemos aqui, nessa conscientização do público. Nós entendemos nosso lugar para jogar luz neste tema, de mostrar a potência para todo o planeta dessa floresta viva, como ela vale mais do que vista simplemente como um recurso a ser explorado — comenta a empresária, negando que a iniciativa signifique uma perna brasileira do festival fora do Sudeste. — Isso gerou uma certa confusão, mas vai ser realmente uma ação pontual. Não temos planos de expandir no Brasil para além do The Town.

Em meio à agenda apertada e as seguidas demandas do festival, Roberta elenca alguns momentos em que conseguiu assistir aos shows, sobretudo na sexta-feira (20), data dedicada às mulheres:

— Vi um pouco da Ivete, sempre incrível. Gloria Gaynor, maravilhosa, e a Cyndi Lauper, uma deusa. E acabou com a Katy Perry escolhendo o Rock in Rio para lançar seu disco, que demonstra a importância do Rock in Rio no cenário global. Também gostei muito do shows do sertanejo, de poder cantar “Evidências” junto com todo mundo.”

Com informações de O GLOBO

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