O Estado do Rio andou algumas casas na tentativa de enfrentar os efeitos do uso excessivo de celulares, especialmente entre crianças e adolescentes. A Assembleia Legislativa (Alerj) aprovou em segunda discussão, nesta quarta-feira (18), uma proposta que institui uma política estadual voltada à conscientização sobre os impactos negativos do uso inadequado de dispositivos móveis.
De autoria do deputado Arthur Monteiro (União Brasil), o texto ainda poderá sofrer ajustes, já que recebeu emendas parlamentares ao longo da tramitação. A política tem como eixo principal a disseminação de informações sobre os efeitos do uso excessivo de celulares na saúde mental e física.
Entre as ações previstas estão campanhas educativas em escolas, comunidades e meios de comunicação. O texto também prevê a produção e distribuição de materiais informativos, como cartilhas, vídeos e infográficos, além da realização de palestras, workshops e seminários em parceria com instituições de ensino, organizações não governamentais e profissionais de saúde.
Incentivo à leitura
Outro ponto central da proposta é o estímulo a práticas que reduzam o tempo de exposição às telas. O texto prevê a criação de programas de incentivo à leitura, com atividades como debates, rodas de conversa e ações pedagógicas voltadas à análise de obras literárias.
Como forma de engajamento, as escolas poderão conceder pontuação adicional aos alunos que participarem de atividades de leitura coletiva. A proposta também abre espaço para que instituições de ensino incentivem, de forma voluntária, a substituição do uso de celulares por momentos de leitura supervisionada, especialmente em intervalos e horários livres.
Saúde mental e dados
A iniciativa também prevê que o Poder Executivo possa realizar levantamentos estatísticos para analisar a relação entre o aumento do uso de celulares e indicadores como taxas de suicídio entre jovens e adultos. A ideia é que esses dados sirvam de base para futuras políticas públicas.
O texto destaca ainda os riscos associados à exposição digital excessiva, como a disseminação de notícias falsas, aumento de ansiedade e depressão, além de possíveis comportamentos de risco, incluindo sedentarismo, má alimentação e isolamento social.
Segundo Arthur Monteiro, o uso intensivo de dispositivos móveis tem se tornado uma preocupação crescente. Ele afirma que estudos da neurociência apontam efeitos adversos relevantes na saúde mental e física, o que justificaria a adoção de medidas de conscientização e prevenção.
A proposta estabelece que todas as ações deverão respeitar a liberdade de expressão, a manifestação cultural e os direitos de informação previstos na Constituição, com campanhas de caráter exclusivamente educativo. O projeto agora segue para o governador Cláudio Castro, que tem 15 dias úteis para sancioná-lo ou vetá-lo.






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