Um novo relatório da Polícia Federal (PF) enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) reforça o papel central do general da reserva Walter Braga Netto na estratégia de deslegitimação das eleições de 2022. A reportagem foi publicada nesta quarta-feira (18) pelo g1, com base no documento que analisa mensagens extraídas do celular do coronel da reserva Flávio Botelho Peregrino. Braga Netto já é réu por participação na tentativa de golpe de Estado.
De acordo com a PF, as novas evidências reforçam que o general atuou como figura-chave na disseminação de desinformação sobre supostas fraudes nas urnas eletrônicas. As mensagens analisadas mostram que ele integrava um grupo de WhatsApp chamado “Eleicoes 2022@”, ao lado do deputado Osmar Serraglio, do servidor Franco Duarte e de Angelo Denicoli. Segundo os investigadores, o grupo mantinha uma ação coordenada para produzir e divulgar conteúdo falso sobre o processo eleitoral.
“As trocas de mensagens confirmaram a atuação do general Braga Netto como uma figura central para a implementação das estratégias visando desacreditar o sistema eleitoral e o pleito de 2022, elemento fundamental, dentro do escopo traçado pela organização criminosa, para estimular seus seguidores a ‘resistirem’ na frente de quartéis e instalações das Forças Armadas”, aponta o relatório.
Conteúdo falso repassado a influenciadores digitais
A PF destaca que os integrantes do grupo não apenas espalhavam fake news, como também repassavam os conteúdos falsificados a influenciadores digitais, entre eles Fernando Cerimedo e Alfredo Rodrigues, com o objetivo de ampliar o alcance da desinformação nas redes sociais. Cerimedo ficou conhecido por divulgar uma live contestando o resultado das eleições logo após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva.
Outro ponto levantado pela investigação é a tentativa do trio Braga Netto, Denicoli e Peregrino de acessar dados sigilosos da delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro. Para os investigadores, essa ação demonstra uma “convergência de propósitos” entre os envolvidos, reforçando a tese de que se trata de uma organização criminosa com atuação coordenada para promover a ruptura do Estado Democrático de Direito.
O material faz parte do inquérito que apura a tentativa de abolição violenta da ordem constitucional e a instigação a atos antidemocráticos, como os acampamentos em frente a unidades militares após as eleições presidenciais de 2022. Com base nas novas provas, a PF pretende aprofundar as diligências sobre o papel de militares e civis na suposta conspiração golpista.





