Relator pede prorrogação da CPI do Crime Organizado e mira fraudes do Banco Master

Senador Alessandro Vieira diz que quer ampliar investigações diante de volume de provas e resistência no Senado

O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE) , protocolou nesta segunda-feira (6) um pedido para prorrogar por mais 60 dias os trabalhos da comissão, cujo prazo atual termina em 14 de abril. As informações são do blog da jornalista Andréia Sadi.

O requerimento conta com o apoio de 28 senadores, incluindo o presidente do colegiado, Fabiano Contarato, e o vice-presidente, Hamilton Mourão. A decisão final sobre a prorrogação caberá ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Ampliação do foco das investigações

No pedido, Alessandro Vieira afirma que a atuação da CPI ultrapassou o escopo inicial voltado à criminalidade violenta tradicional. Segundo ele, as investigações passaram a envolver estruturas sofisticadas de atuação do crime organizado, com destaque para fraudes financeiras ligadas ao Banco Master.

“Ficou evidenciado que o crime organizado atua hoje com estruturas comparáveis a corporações transnacionais, dotadas de complexas redes de lavagem de capitais que se valem de brechas regulatórias e da cooptação de agentes públicos e privados nos mais altos níveis de poder”, diz o requerimento.

Volume de provas pressiona prazo

O relator também argumenta que a comissão acumulou uma grande quantidade de documentos, incluindo dados provenientes de quebras de sigilo, o que exige tempo adicional para análise. Segundo ele, o material reunido demanda cruzamento detalhado de informações sensíveis e a realização de novas oitivas consideradas essenciais.

“Trata-se de um trabalho investigativo de elevada complexidade, que demanda tempo, rigor técnico e robustez probatória. O prazo original revelou-se materialmente insuficiente diante da magnitude dos fatos descobertos. A coleta adequada de provas e a análise detalhada, entre outros documentos, dos extensos Relatórios de Inteligência Financeira exigem um período de trabalho que ultrapassa os limites inicialmente previstos”, afirmou.

Pressão política no Senado

Instalada em novembro de 2025 após a Operação Contenção, no Rio de Janeiro, a CPI ganhou novos contornos ao se tornar uma das principais frentes de apuração das suspeitas envolvendo o Banco Master.

O movimento ocorre em meio à resistência do presidente do Senado em autorizar a criação de uma comissão específica para investigar o caso. Nos bastidores, a avaliação entre parlamentares é que a instalação de uma nova CPI em ano eleitoral poderia gerar desgaste político amplo.

Senadores relatam que há receio de que o aprofundamento das investigações atinja diferentes partidos, ampliando a pressão sobre o Congresso.

Precedente recente no STF

O debate sobre a prorrogação também ocorre à luz de decisões recentes envolvendo outras comissões parlamentares. No mês passado, a continuidade da CPI do INSS foi garantida por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, após impasse no Senado.

O episódio reforçou a judicialização de disputas políticas envolvendo CPIs e aumentou a expectativa sobre o desfecho do pedido apresentado por Alessandro Vieira.

Caso seja aprovado, o novo prazo permitirá que a comissão avance na análise das investigações e consolide as conclusões sobre a atuação de organizações criminosas e possíveis fraudes financeiras.

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