Reforma no Parque Lage revela pinturas históricas ocultas no palacete

Descobertas durante restauração expõem detalhes inéditos e reforçam valor cultural do espaço

Um verdadeiro tesouro histórico começou a ser revelado durante as obras de restauração do Parque Lage, na Zona Sul do Rio. Equipes de conservação identificaram pinturas originais que permaneceram escondidas por décadas sob diversas camadas de tinta no interior do palacete.

As descobertas surgiram durante o processo inicial de limpeza, etapa essencial da obra iniciada há quase um ano. Utilizando técnicas simples, como higienização com água e sabão, os restauradores começaram a recuperar as superfícies do imóvel histórico.

De acordo com o coordenador de cantaria e argamassa, Leandro Fosse, esse é o primeiro passo de um trabalho minucioso que exige cuidado para preservar as características originais da construção.

Primeira grande restauração em quase um século

Esta é considerada a primeira grande intervenção no palacete em quase 100 anos. Mesmo com a reforma ainda em andamento, já é possível notar mudanças significativas na estrutura e na aparência da fachada.

A previsão é de que as obras sejam concluídas até o fim do ano. Após a entrega, o prédio voltará a sediar a Escola de Artes Visuais, que atualmente funciona em outro endereço de forma provisória.

Além de seu valor histórico, o Parque Lage é um dos pontos turísticos mais conhecidos do Rio de Janeiro, atraindo visitantes e servindo frequentemente como cenário para produções culturais e audiovisuais.

Descobertas revelam estilos e detalhes originais

Durante a recuperação do salão nobre, elementos decorativos dourados voltaram a aparecer, resgatando parte do luxo original do espaço. No entanto, as maiores surpresas foram encontradas nas paredes internas.

À medida que as camadas de tinta eram removidas, surgiam padrões, cores e formas até então desconhecidos. Ambientes como o antigo bar e o salão de jogos revelaram pinturas com características do estilo eclético.

Já em um dos quartos que pertenceu à cantora lírica Gabriela Besanzoni, os restauradores encontraram uma decoração lúdica, com estrelas de diferentes tamanhos em variados tons de azul.

Preservação também inclui marcas do tempo

Nem todas as pinturas descobertas serão restauradas integralmente. Parte dos painéis, principalmente os mais deteriorados, será mantida como está, evidenciando a ação do tempo sobre o imóvel.

Segundo a restauradora Alice Medina, essa decisão faz parte do conceito adotado na obra, que busca valorizar a história do prédio em todas as suas fases, inclusive os sinais de desgaste.

O projeto de restauração também ajuda a resgatar a trajetória do espaço, que teve origem ainda no período colonial como engenho de açúcar. No século XIX, a área foi transformada em parque, e, na década de 1920, o empresário Henrique Lage construiu o atual palacete no local.

Com as novas descobertas, o Parque Lage reforça sua importância como patrimônio histórico e cultural do Rio, revelando ao público detalhes inéditos de sua arquitetura e decoração.

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