A instabilidade do quadro político-eleitoral fluminense deve levar o governador Cláudio Castro a rever os planos de se candidatar ao Senado e a permanecer no comando do Palácio Guanabara até o final do mandato.
As divergências com o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, expostas com exoneração de Washington Reis da secretaria de Transportes, e as especulações sobre o descontentamento do clã de Jair Bolsonaro com o desfecho do caso, fizeram Castro repensar seu projeto político.
– Eu nunca deixei de admitir a possibilidade de cumprir o mandato até o fim. Essa é uma possibilidade real. Estou absolutamente tranquilo: tenho um ano e seis de mandato para continuar servindo ao povo fluminense que me elegeu com quase 5 milhões de votos. É muito cedo – afirmou Castro à Agenda do Poder.
A mudança de planos é consequência direta da crise deflagrada pela decisão de Bacellar de exonerar Washington Reis, durante o período em que ocupara interinamente o comando do governo. Castro manteve a exoneração do aliado, num gesto político à base do governo na Alerj, mas ficou profundamente descontente com o fato. A relação com Bacellar permanece trincada. Desde então, não se falam.
Somem-se a isso as incertezas sobre o apoio de Jair Bolsonaro a candidaturas patrocinadas pelo grupo político de Castro no Rio. No auge da crise, como revelou com exclusividade a Agenda do Poder, Flávio Bolsonaro tentou reverter a exoneração de Washington Reis, fazendo um apelo direto ao governador. Pragmático, defendia a tese de que não se pode prescindir de um aliado com o potencial do ex-prefeito de Duque de Caxias, numa eleição que se prenuncia duríssima como a sucessão estadual fluminense de 2026.
Não foi atendido; pôs-se em profundo silêncio numa manifestação interpretada por interlocutores como um sinal de afastamento do projeto eleitoral da dupla Castro-Bacellar.
– Flávio Bolsonaro é meu amigo. Não vou comentar nada sobre eventual posição dele antes de a gente conversar olho no olho – disse o governador, neste sábado, 12.





