RICARDO BRUNO
O governador Cláudio Castro arquivou pelo menos até domingo o revide aos ataques que Alexandre Ramagem lhe dirigiu durante o debate da TV Globo. Atende a pedidos do ex-presidente Jair Bolsonaro e do filho Flávio, com os quais conversou na manhã desta sexta-feira para relatar o descontentamento com o aliado destrambelhado.
O argumento preponderante é que qualquer crítica ao candidato do PL neste momento estratégico pode desequilibrar a disputa em dois ou três pontos percentuais inviabilizando um hipotético segundo turno.
A Jair, Castro rememorou todos os movimentos que fez nos últimos meses para ajudar a construção da candidatura do ex-delegado da PF, razão pela qual não havia digerido o destempero do correligionário. O ex-presidente teria compreendido as razões da zanga do mandatário fluminense. Solicitou apenas ponderação em momento tão crucial das eleições.
Publicamente, Castro e Ramagem estiveram juntos apenas em dois momentos na campanha: numa visita ao Bope e num encontro no Sindicarga. No gabinete do quinto andar do anexo do Palácio Guanabara, contudo, mantiveram várias reuniões, algumas para debater os problemas da cidade. Por toda a pré-campanha, Castro o municiou com informações relevantes sobre o Rio.
É verdade que Alexandre Ramagem foi nunca foi o candidato da preferência de Cláudio Castro. O primeiro nome do governador era o senador Flávio Bolsonaro; depois tentou lançar o deputado federal Dr. Luzinho (PP), que se desinteressou do projeto. Após Ramagem ter sido escolhido por Jair, Castro o acolheu e, em respeito a decisão do ex-presidente, passou a trabalhar efetivamente por sua eleição. Daí a indignação com a forma com que foi tratado.
Se Alexandre Ramagem apenas se desvinculasse de Castro com frases do tipo “não faço parte do governo”, teria sido compreendido. Quando cruzou a linha e, como os adversários, desferiu ataques ao governante, trouxe para si a pecha de traidor.





