O Partido dos Trabalhadores (PT) está traçando estratégias para colocar em evidência a figura da primeira-dama, Janja da Silva, durante a campanha deste ano. Considerada um ativo eleitoral, a socióloga gravará vídeos para candidatos e reforçará palanques durante o pleito municipal de outubro.
A iniciativa visa impulsionar candidaturas femininas no PT. Tanto a mulher do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto a presidente da legenda, Gleisi Hoffmann, já alinharam a participação de Janja em palestras de formação para pré-candidatas.
Dentro do PT, Janja é vista como uma figura que inspira a militância. Pela primeira vez, o partido está elaborando um mapa eleitoral em conjunto com os dirigentes estaduais, com o objetivo de superar a cota mínima de 30% de participação feminina. Uma das metas internas é atingir um patamar próximo a 50%, percentual defendido por Janja para este ano.
“Janja tem sido um estímulo e uma referência para a participação das mulheres na política. Estive com ela e a convidei para participar das campanhas de nossas candidatas nestas eleições, porque este é um desejo do PT. Agora vamos construir agendas com a presença dela”, afirmou Gleisi.
Em março, um encontro de pré-candidatas em Brasília contará com a participação ativa de Janja. Recentemente, ela publicou um post nas redes sociais comemorando o aniversário do partido e relembrando que é filiada desde os 17 anos. Durante a conferência, serão definidas as postulantes que receberão formação política, oficinas de comunicação, contabilidade e assessoria jurídica.
Nas discussões internas, Janja tem enfatizado a necessidade de reforçar mecanismos de proteção para mulheres vítimas de violência política de gênero, bem como aquelas que enfrentam ameaças e, por isso, acabam desistindo de disputar eleições.
Uma das ideias em discussão com a primeira-dama é a criação de oficinas que garantam cuidados e proteção das candidatas no ambiente digital. Nas conversas, Janja tem defendido que não dá para pedir que mulheres sejam candidatas, se elas têm medo de violência.
Nos palanques, o PT tenta fazer algo semelhante ao pleito de 2022, quando Janja participou ativamente da campanha de Lula. Na ocasião, a primeira-dama subia em palcos, discursava e cantava jingle do petista. Durante o período, ela já cobrava maior participação feminina no comando de campanha e chegou a se negar a participar de fotos em que seria a única mulher. Em entrevista no mês passado à Rádio Metrópole, Lula disse que Janja vive a política “24 horas por dia”:
— Ela é muito interessada na questão social, sobretudo no que diz respeito à questão ambiental, de sustentabilidade, e também muito preocupada com a questão das mulheres. E me cobra, você não tem noção. Quando o (Ricardo) Stuckert tira uma fotografia minha que só tem homem, ela fica horrorizada.
Com informações de O Globo





