PSOL articula candidatura de Luciana Boiteux ao Senado e aposta em dobradinha com Benedita da Silva

Estratégia busca evitar dispersão do voto da esquerda e preparar o campo progressista para enfrentar nomes da direita, como Cláudio Castro e Márcio Canella

O Psol fluminense está se movimentando para a disputa ao Senado e tem na professora e ex-vereadora Luciana Boiteux o principal nome colocado à disposição da sigla, que quer uma das duas vagas em jogo para chamar de sua. A definição, no entanto, ainda depende de decisão interna do diretório estadual, prevista para as próximas semanas. A estratégia é formar uma frente progressista ao lado da deputada federal Benedita da Silva (PT), nome consolidado da federação PT/PV/PCdoB.

​A intenção de Boiteux é evitar que o eleitor de esquerda, ao escolher Benedita para a primeira vaga, direcione o segundo voto para candidatos de centro ou de direita.

“A ideia é eleger duas senadoras para reafirmar que a voz das mulheres e nossas pautas precisam ser defendidas. Pela primeira vez, o Rio poderá votar em duas mulheres para o Senado”, afirmou a advogada, que chegou a publicar uma foto ao lado da deputada em ato no último dia 8 de março, Dia da Mulher. “A conjuntura política atual se mostra mais desafiadora do que nunca. O enfrentamento à extrema-direita e sua aliança com o Centrão segue como tarefa central diante dos riscos colocados nesta eleição presidencial”, disse no texto da candidatura.

​A movimentação ocorre em um momento de afunilamento das chapas. No campo oposto, o grupo do governador Cláudio Castro (PL) já definiu sua estrutura: Castro e o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União), devem renunciar aos seus cargos em breve para concorrer às duas cadeiras do Senado pela direita.

Embora o nome da ex-parlamentar seja o favorito da ala feminista do Psol e dialogue com a articulação nacional “Senadoras do Brasil” — que conta com nomes como Marina Silva, Manuela D’Ávila e da própria Benedita —, a definição oficial só deve ocorrer em abril.

O diretório estadual, presidido pelo deputado da Alerj Flávio Serafini, chegou a cotar outros nomes, como os dos vereadores William Siri, da Câmara do Rio — dado como certo nos bastidores como o nome psolista na disputa pelo Palácio da Guanabara — e Professor Túlio, de Niterói.

A estratégia psolista para as eleições

​A pré-candidatura de Boiteux ao Senado, aliás, ajuda a organizar o xadrez interno do partido. Com a professora na disputa pela vaga federal, o caminho fica mais livre para que William Siri consolide sua pré-candidatura ao Governo do Estado. O edil inclusive tem realizado agendas pelo interior, na chamada “Caravana do Siri”, buscando consolidar seu nome entre o eleitorado fluminense enquanto os deputados federais da sigla, como Glauber Braga e Tarcísio Motta, tendem a focar na reeleição para a Câmara para manter a bancada em Brasília.

​Do outro lado, a disputa pelo Palácio Guanabara terá como principais nomes o prefeito Eduardo Paes (PSD), que lidera as pesquisas — e que deixa o cargo de alcaide amanhã nas mãos de Eduardo Cavaliere (PSD) para focar nas eleições— , e o secretário estadual de Cidades, Douglas Ruas (PL), escolhido como sucessor de Cláudio Castro.

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