Presidente da RioFilme diz que indicações de ‘Ainda estou aqui’ ao Oscar “ampliam reconhecimento do Rio no mundo”

Leonardo Edde comenta setor audiovisual carioca: “Uma indústria forte e perene é essencial para projetar o Brasil globalmente, preservar nossa cultura e criar ainda mais empregos e renda”

Nesta terça-feira (28), o novo presidente da RioFilme, o produtor Leonardo Edde, se une ao prefeito Eduardo Paes, ao vice-prefeito Eduardo Cavaliere e ao secretário municipal de Cultura Lucas Padilha para uma apresentação das ações da empresa pública de incentivo ao audiovisual carioca previstas para os próximos três anos.

Sócio fundador da Urca Filmes, Edde ficou conhecido pelo trabalho como produtor em obras como “Tropa de elite 2: o inimigo agora é outro” (2010), de José Padilha, “O filme da minha vida” (2017), de Selton Mello, e, mais recentemente, “Nosso sonho” (2023), cinebiografia de Claudinho e Buchecha dirigida por Eduardo Albergaria. Atuou também no setor como presidente do Sicav (Sindicato da Indústria Audiovisual) e vice-presidente da Firjan.

A seguir, ele fala de planos para o cinema no Rio, como o objetivo de ter uma “indústria forte”.

Qual considera seu principal desafio à frente da RioFilme?

A sustentabilidade da indústria audiovisual do Rio. Trazer segurança às empresas do setor é garantir empregos, renda, e a preservação da nossa cultura. Isso envolve uma política de investimentos comprometida em gerar resultados perenes para superar ciclos de instabilidade, atrair mais investimentos de terceiros e multiplicar os recursos disponíveis, aumentar a infraestrutura da cidade, a força de trabalho, a formação de público, e garantir o acesso aos canais de distribuição com a presença de conteúdos cariocas em todas as janelas. Só uma indústria forte pode quebrar a hegemonia norte-americana do cinema e do audiovisual, e fortalecer as políticas de inclusão e diversidade.

A RioFilme já atuou apoiando produção, distribuição, incentivando filmagens no Rio, de obras locais e internacionais. Qual é a principal missão da empresa?

A RioFilme surgiu como uma empresa pública distribuidora de filmes. Esse conceito é muito mais do que só o lançamento das obras, passa por encontrar as melhores histórias, desenvolver os melhores projetos, investir nas melhores produções, rentabilizar esses produtos e trabalhar para criar um ambiente propício ao negócio audiovisual. A principal missão da RioFilme é fortalecer e promover a produção audiovisual carioca, gerando desenvolvimento econômico, cultural e social, ao mesmo tempo em que valoriza a identidade do Rio como um polo de referência da indústria cinematográfica e audiovisual.

Nos primeiros mandatos de Eduardo Paes, houve interesse em trazer cineastas estrangeiros renomados para filmar na cidade. Esta ainda é uma meta?

Com certeza seguiremos nessa meta. Já temos alguns cineastas em vista… As indicações de “Ainda estou aqui” no Oscar ajudarão bastante. Esse é um passo importante para ampliar o reconhecimento da cidade no mundo e, consequentemente, o aumento de produções internacionais que filmam aqui. O Rio já é a cidade mais filmada da América Latina e segue à frente de grandes centros como Paris e Cidade do México (em número de diárias). O prefeito em sua gestão passada assinou decretos que possibilitaram à Rio Film Commission trabalhar com maior celeridade e segurança. Com o Cash Rebate (programa de incentivo com recursos da RioFilme), o Rio ganhou um diferencial fundamental para atrair produções internacionais, consolidando a cidade como um destino film friendly e pronto para receber projetos de grande porte.

Como vê a função do órgão para o audiovisual brasileiro?

A RioFilme tem um papel estratégico de liderança. Além de fomentar a produção e distribuição, atua na atração de investimentos, na capacitação profissional e na promoção da cultura local. O Rio não é apenas um polo de produção: é o coração do cinema brasileiro, onde seus filmes foram responsáveis por 90% da renda do cinema nacional em 2024.

Quais os planos para as salas cariocas, especialmente os cinemas de rua?

As salas de cinema ainda são grandes apostas no mundo. As plataformas digitais vieram para ficar, mas os filmes que ganham a tela grande ainda são muito mais valorizados, sendo a janela que mais tem potencial de retorno. Revitalizamos salas em áreas estratégicas, como o CineCarioca Penha, fechado desde 2006, e o CineCarioca Nova Brasília, no Complexo do Alemão. Além disso, inauguramos recentemente o CineCarioca José Wilker, totalmente modernizado e acessível. O objetivo é transformar esses espaços em núcleos de formação de público, conectando festivais, cineclubes e mostras às comunidades. Ampliar esse projeto é um dos compromissos da Riofilme, já que cada sala de cinema de rua significa a criação de um ecossistema econômico que impacta toda uma população, gerando renda, empregos, organização e ordem pública, gerando autoestima e novos negócios no entorno.

Em artigo no GLOBO, você falou sobre os riscos de se desindustrializar o audiovisual brasileiro.

A desindustrialização é um retrocesso e está em curso. Representa uma visão distorcida da descentralização, ou democratização, da distribuição de recursos e tem fragmentado os investimentos federais sem um planejamento estruturado para o setor. Essa é uma indústria de hábitos — precisa de continuidade, de presença constante. E os produtos precisam encontrar seu público. Meu compromisso é reforçar políticas que sustentem a produção contínua de conteúdos brasileiros, promovendo a diversidade de histórias, de visões, de canais de distribuição. Uma indústria forte e perene é essencial para projetar o Brasil globalmente, preservar nossa cultura e criar ainda mais empregos e renda.

Com informações de O GLOBO.

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