Em mais um episódio de insatisfação da base do governo envolvendo a segurança pública, o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (PL), anunciou, nesta terça-feira (10/10), que vai protocolar uma moção de repúdio contra a secretária de Estado de Administração Penitenciária, Maria Rosa Lo Duca Nebel.
Desta vez, segundo Bacellar, a moção será pelo tratamento dispensado a deputado Índia Armelau (PL) que, durante o evento de abertura do curso do Grupamento de Intervenção Tática (GIP), na sexta-feira (06/10), sequer foi anunciada pela secretária, ainda que fosse a única autoridade presente.
O episódio acontece menos de uma semana após os governistas criticarem duramente a política de segurança do governo – nos bastidores, fala-se que o governador Cláudio Castro não teria gostado nem um pouco do pito dos parlamentares. A atitude da secretária foi entendida como uma retaliação.
Maria Rosa, porém, tem sido o alvo preferido da ala bolsonarista mais radical. Por duas vezes já foi convocada a comparecer à Casa e dar explicações sobre suas ações administrativas.
Após a fala de Bacellar, no entanto, Rodrigo Amorim (PTB) argumentou que a moção deveria ser pelas “reiteradas manifestações de falta de respeito ao trabalho parlamentar”. Índia fez um relato em plenário falando em constrangimento e desrespeito.
“A moção de repúdio em relação à secretária Maria Rosa Lo Duca Nebel é para que reste claro aqui no parlamento que, independentemente à nossa posição de governo, a função do parlamentar, acima de qualquer coisa, é de ser fiscalizador”, disse Bacellar. E completou:
“Pede a boa educação e o dever institucional de cada secretário, nomeado num governo, de respeitar o parlamentar e não o destratar publicamente. Não é a primeira e nem a segunda dessa secretária. Então, chamo a atenção, inclusive, do meu amigo, o governador Cláudio Castro, a quem já deixei isso consignado, desde sexta-feira”.
Alan Lopes (PL) chamou Maria Rosa de “arrogante”, e afirmou que ela tratou uma deputada eleita de maneira descortês. “Ela não tem preparo para sentar onde está. Dá desculpas estapafúrdias, espero que ela tenha dignidade de se retratar e entregar o cargo”, afirmou.
O deputado Filippe Poubel (PL), além de pedir sua exoneração, informou que a secretária não soube responder diversos questionamentos quando compareceu na Alerj, e que em entrevista recente “teve a audácia de dizer que faz parte de uma estratégia deixar os bandidos usarem celular nos presídios”. “Exonere essa incompetente, governador”, gritou.
Descontraindo o ambiente
Gaito como sempre, o deputado Carlos Minc (PSB) não deixou barato, ironizando e pregando mais uma peça nos governistas.
“O único protesto que eu iria fazer, presidente, é o seguinte: a base do governo está fazendo tanta crítica e está querendo tirar o espaço da oposição. Como vamos fazer oposição ao Governo se a própria base, todo dia, pede a cabeça de um secretário? Isso é uma invasão de privacidade. Estão querendo constranger a oposição, isso não é razoável. Assim não é possível sobreviver. Eu peço a sua intervenção, senhor presidente”, disse, arrancando gargalhada geral.
Bacellar respondeu: “Essa é a prova de lisura da governabilidade. Cortamos na própria carne para querer o correto. Estão vendo?”





