O número de pessoas em situação de rua em Petrópolis aumentou de forma expressiva nos últimos 12 meses e já acende um alerta social na cidade da Região Serrana do Rio. Dados atualizados do Cadastro Único do Governo Federal mostram que o município chegou a 463 pessoas vivendo nas ruas em maio deste ano.
O total representa um crescimento de 54% em relação ao mesmo período do ano passado, quando Petrópolis registrava 301 pessoas nessa condição.
Os números também revelam uma alta contínua ao longo de 2026. Em janeiro, eram 385 pessoas cadastradas em situação de rua. Em fevereiro, o número subiu para 412. Já em março, o índice chegou a 421, avançando para 447 em abril, até atingir os atuais 463 registros em maio.
Escalada preocupa moradores
O aumento vem gerando preocupação entre moradores, comerciantes e autoridades locais, principalmente nas regiões centrais da cidade, onde a presença de pessoas em situação de vulnerabilidade social tem se tornado mais visível nos últimos meses.
O debate ganhou ainda mais força após um caso de violência registrado no último dia 17, quando uma mulher em situação de rua foi morta a facadas na Praça da Inconfidência, no Centro de Petrópolis.
Segundo informações das autoridades, a vítima, de 41 anos, foi ferida gravemente na região do pescoço após uma briga envolvendo outras pessoas também em situação de rua.
Agentes da Guarda Civil Municipal prestaram os primeiros socorros até a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), mas a mulher não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
Polícia fala em caso isolado
Após o crime, a Polícia Militar informou que não houve registro de outras ocorrências semelhantes na região e classificou o episódio como um fato isolado.
Em nota, a corporação afirmou que o policiamento ostensivo continua sendo realizado normalmente no local.
“Havendo flagrante delito, os envolvidos serão presos”, destacou a PM.
Rede de acolhimento
Diante do crescimento da população em situação de rua, a Secretaria de Assistência Social de Petrópolis afirmou que mantém uma rede permanente de acolhimento e atendimento social.
Segundo a pasta, o trabalho é realizado por meio de serviços articulados como o Serviço Especializado em Abordagem Social, o Centro de Referência Especializado para Pessoas em Situação de Rua (Centro POP) e o Núcleo de Integração Social (NIS).
A secretaria informou ainda que as equipes atuam tanto por demanda espontânea quanto por encaminhamentos feitos por unidades públicas, incluindo Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e unidades de saúde.
Busca ativa nas ruas
Além dos atendimentos tradicionais, a prefeitura informou que realiza ações de busca ativa no Centro e nos distritos da cidade para identificar pessoas em situação de vulnerabilidade e oferecer acolhimento.
De acordo com a administração municipal, o Centro POP oferece serviços como alimentação, banho, guarda de pertences, emissão de documentos, encaminhamento para atendimento de saúde e acesso a benefícios sociais.
Outra alternativa apresentada pelo município é o acolhimento no Núcleo de Integração Social, onde é possível realizar pernoite.
A Secretaria de Assistência Social destacou ainda que as pessoas abordadas podem aceitar ou recusar o acolhimento oferecido pelas equipes.
Segundo a pasta, também há um trabalho voltado ao restabelecimento de vínculos familiares sempre que possível.
O avanço da população em situação de rua em Petrópolis acompanha um cenário observado em diferentes cidades brasileiras nos últimos anos, marcado pelo agravamento das dificuldades econômicas, desemprego, dependência química e fragilidade nos vínculos familiares.





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