O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inaugurou nesta sexta-feira (19) a Ponte Internacional da Integração Brasil–Paraguai, segunda ligação viária entre os dois países na região de Foz do Iguaçu (PR). Apesar da entrega oficial, a estrutura começa a operar de forma limitada a partir da noite deste sábado (20), com circulação restrita a caminhões vazios e em horários determinados.
A cerimônia no lado brasileiro ocorreu sem a presença do presidente do Paraguai, Santiago Peña, que realizou um ato próprio neste sábado (20), em Presidente Franco. A ausência do mandatário paraguaio e a opção por inaugurações separadas chamaram a atenção por ocorrerem às vésperas da Cúpula do Mercosul, sediada em Foz do Iguaçu, e foram interpretadas por especialistas como sinal de ruído diplomático entre os dois países.
Segundo Lula, a decisão por eventos distintos evitou um novo adiamento da entrega da obra, diante de incompatibilidades de agenda. O presidente afirmou que Peña enfrentava um problema familiar em Assunção e que ele próprio precisava retornar a Brasília após os compromissos do Mercosul.
Operação começa com restrições
Mesmo inaugurada, a Ponte da Integração terá liberação gradual. A partir da noite deste sábado (20), apenas caminhões sem carga — conhecidos como “em lastro” — estão autorizados a cruzar a ponte, nos dois sentidos, entre 22h e 5h, conforme definição da Receita Federal.
“A ponte está 100% pronta, a Receita Federal está preparada para trabalhar, a Polícia Federal também está preparada. As obras do lado brasileiro estão prontas, a rodovia perimetral que dá acesso à ponte também está 100% concluída. E, a partir de amanhã [sábado], nós vamos liberar o fluxo de caminhões por cima da ponte”, disse o ministro dos Transportes, Renan Filho, que detalhou que toda a logística no entorno da ponte pelo lado brasileiro está pronta para funcionar.
A circulação de ônibus de turismo fretados está prevista para começar em janeiro, em horários específicos. Ainda não há previsão para a liberação de carros de passeio e motocicletas. De acordo com autoridades brasileiras, a restrição ocorre porque o Paraguai ainda precisa concluir obras de infraestrutura urbana e viária em Presidente Franco, para absorver o novo fluxo internacional sem comprometer o trânsito local.
Entrega marcada por tensão política
Embora o projeto simbolize a integração entre Brasil e Paraguai, a inauguração evidenciou desencontros políticos. Um dia após o evento conduzido por Lula, o governo paraguaio realizou sua própria cerimônia do outro lado da fronteira.
A ausência de Peña na cerimônia brasileira tem peso simbólico dentro do Mercosul, bloco que funciona por consenso, e ocorre em um momento sensível da relação diplomática regional. A Cúpula do Mercosul, realizada neste sábado, marca o encerramento da presidência temporária do Brasil à frente do bloco.
Obra concluída em 2022 ficou parada por entraves operacionais
A Ponte da Integração é a segunda ligação viária entre Brasil e Paraguai na região, mais de 60 anos após a inauguração da Ponte da Amizade, atualmente sobrecarregada por um fluxo diário de cerca de 100 mil pessoas e 45 mil veículos.
Embora concluída fisicamente em 2022, a nova ponte permaneceu fechada por entraves operacionais, sobretudo relacionados à implantação de aduanas, sistemas de fiscalização e acessos viários — principalmente no lado paraguaio. No Brasil, as obras de acesso, como a Perimetral Leste, foram finalizadas.
Investimento bilionário e impacto logístico
Com 760 metros de extensão e vão central de 470 metros — o maior da América Latina —, a ponte foi projetada principalmente para o transporte de cargas. O investimento total é estimado em cerca de R$ 1,9 bilhão, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e financiamento de R$ 712 milhões pela Itaipu Binacional.
A expectativa do governo brasileiro é que, quando plenamente operacional, a nova ligação alivie o tráfego pesado da Ponte da Amizade e melhore a logística do comércio bilateral, que movimenta bilhões de dólares por ano entre Brasil e Paraguai.






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