A Polícia Civil está investigando se os dez homens que dispararam tiros de fuzil contra um casal e uma criança de 4 anos, na noite de sábado, em Paty do Alferes, no Centro-Sul Fluminense, pertencem ao mesmo grupo criminoso suspeito de outro ataque ocorrido em cidade vizinha. Em janeiro, membros de uma facção ligada à expansão do Comando Vermelho (CV) atiraram contra um policial militar em Miguel Pereira.
Naquele episódio, os criminosos, que teriam vindo do Complexo do Alemão, tentavam ampliar as atividades da facção para a região. O policial militar alvo do ataque conseguiu sair do veículo e revidou, trocando tiros com o grupo. Apesar dos diversos disparos que atingiram o carro, o agente saiu ileso do confronto.
A suspeita de que o mesmo grupo esteja envolvido no assassinato de Giliarde Costa Fontes, de 36 anos, Cosuelo Teixeira Vieira, de 40, e Diego Vieira Fontes, de apenas 4 anos, surgiu devido à associação de um traficante da região aos dois ataques. Esse indivíduo, que estaria escondido no Complexo do Alemão, não teve sua identidade divulgada para preservar o andamento das investigações.
Família estava em barbearia
A família assassinada estava em uma barbearia no momento do ataque. Giliarde seria o principal alvo da ação que envolveu dez homens armados. Ele estaria armado, e segundo informações iniciais recebidas pela 96ª DP (Miguel Pereira) tentou reagir para proteger a mulher e o filho.
O agricultor morreu do lado de fora do salão. Uma pistola calibre 380, arma de que ele teria registro, foi levada pelos assassinos. Segundo moradores, o ataque aconteceu pouco depois das 19h. Os bandidos estavam em dois carros pretos, uma Fiat Toro e Outlander Mitsubishi. Os automóveis fecharam a pista da Avenida Sesquicentenário, no Bairro Arcozelo, bloqueando a passagem de outros veículos. Em seguida, bandidos armados de fuzis dispararam em direção à barbearia.
Após o crime, a Polícia Militar e a Polícia Civil identificaram, por meio de câmeras de monitoramento, os dois carros usados pelos criminosos e acionaram a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Os veículos foram interceptados na Rodovia Presidente Dutra, na altura da divisa entre São João de Meriti e Belford Roxo. Durante a abordagem, ao menos dez homens desembarcaram dos carros e atiraram contra os policiais, dando início a uma intensa troca de tiros.
Um dos suspeitos, Pedro Vitor Lemos Azambuja, foi preso na ação. Ele alegou informalmente ter sido contratado pelos criminosos apenas para dirigir um dos veículos. Azambuja foi autuado em flagrante por triplo homicídio e porte ilegal de armas de calibre restrito. Os demais envolvidos conseguiram fugir.
Na ação, foram apreendidos três fuzis, uma pistola, mais de dez carregadores, centenas de munições, rádios transmissores, telefones celulares, uma faca e acessórios táticos, como uma máscara realista. Os dois veículos usados pelos criminosos também foram apreendidos e periciados.
Além disso, um Versa, veículo do agricultor que estava estacionado próximo à barbearia na noite do ataque, foi periciado. O carro apresentava perfurações nos vidros, lataria e porta-malas causadas por disparos.
Em post numa rede social, uma prima de Cosuelo diz que vai sentir muitas saudades dela e das conversas. “Muito difícil saber que você não está mais entre nós”, lamenta.
Última morte no município foi em julho
A violência dos assassinatos do casal e da criança chocou os cerca de 29,6 mil moradores de Paty de Alferes. O município não está entre os mais violentos do Estado do Rio de Janeiro. Pelo contrário. O último assassinato ocorrido em Paty de Alferes havia sido registrado em julho. Antes do triplo homicídio, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), a cidade contabilizava apenas cinco assassinatos, desde o início de janeiro.
Com o crime deste sábado, o município tem em 2024, oito assassinatos contabilizados. Nos últimos quase cinco anos (entre janeiro de 2019 e novembro de 2024), o maior número de homicídios ocorridos em um ano era de sete mortes, todas registradas em 2020. Já de 2003 até este sábado, foram registrados 42 assassinatos na cidade. Significa dizer que, em média, houve um homicídio a cada seis meses no período citado acima.
Com informações de O Globo.





