O cantor e compositor Salvador da Rima, um dos principais nomes do rap e funk nacional, participou no último sábado (17) de uma carreata em homenagem a Daniel Falcão dos Santos, conhecido como Gotinha, morto durante uma operação do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) no Morro do Timbau, no Complexo da Maré, zona norte do Rio de Janeiro.
Segundo informa Mirelle Pinheiro em sua coluna no portal Metrópoles, o cantor — que tem mais de 4 milhões de seguidores no Instagram — publicou uma imagem em frente a um muro com a inscrição “Saudade eterna TH, Carlinho e Gotinha”, em referência aos três traficantes mortos na mesma ação. A publicação foi interpretada por muitos internautas como um gesto de reverência aos criminosos, gerando forte repercussão nas redes sociais.
A homenagem reuniu dezenas de motociclistas e carros de luxo na Via B Três, uma das principais avenidas da Maré. Vídeos registrados por influenciadores e moradores mostraram um cortejo com manobras perigosas, buzinaços e músicas em alto volume. Beatriz, apontada como namorada de Gotinha, compartilhou momentos do evento e escreveu: “Será sempre lembrado”.
Segundo o Bope, Daniel Falcão era segurança pessoal de Thiago da Silva Folly, o TH da Maré, líder da facção Terceiro Comando Puro (TCP). Ambos estavam escondidos em um bunker no Morro do Timbau quando foram localizados pelos policiais. Houve confronto, e os dois foram mortos, junto com outro homem identificado como Carlin.
Devido aos ferimentos provocados pelos disparos, o caixão de Gotinha permaneceu fechado durante o velório, realizado na quarta-feira (14). O enterro foi acompanhado por dezenas de pessoas e teve grande visibilidade nas redes sociais, onde Gotinha já acumulava mais de 100 mil seguidores — número que cresceu após sua morte.
Quem é Salvador da Rima
Gabriel Salvador, conhecido artisticamente como Salvador da Rima, tem 23 anos e nasceu em São Paulo. Ganhou projeção nacional com canções que misturam crítica social e o cotidiano das periferias urbanas, como as faixas “Cracolândia”, em parceria com DJ Alok, e “Vergonha pra mídia”, ambas com milhões de visualizações.
Apesar do viés combativo de suas letras, marcadas por denúncias de violência policial e desigualdade, a presença de Salvador em uma homenagem a traficantes gerou debate sobre os limites entre a crítica social e a possível romantização do crime organizado. O artista, até o momento, não se pronunciou publicamente sobre o episódio.





