Dois policiais militares do Batalhão de Choque do Rio de Janeiro serão levados a júri popular pela morte do adolescente Thiago Flausino, de 13 anos, na comunidade da Cidade de Deus. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (11) pela juíza Elizabeth Machado Louro. As informações são do portal G1.
Os réus, cabos Diego Pereira Leal e Aslan Wagner Ribeiro de Faria, admitiram em depoimento terem feito os disparos que atingiram o jovem. Segundo a magistrada, os dois “efetuaram disparos contra as vítimas, o que admitem os próprios réus, embora aleguem legítima defesa”. Outros dois PMs inicialmente detidos — Silvio Gomes dos Santos e Roni Cordeiro de Lima — foram liberados por falta de indícios de participação no crime.
O caso aconteceu em maio de 2024, durante uma operação policial para conter um baile funk na comunidade. A versão dos policiais afirma que Thiago estaria armado e teria atirado contra a equipe, motivando o revide. Entretanto, um amigo da vítima, que estava com ele na moto no momento do crime, contou outra história: eles teriam caído da moto e foram surpreendidos por disparos vindos de um carro descaracterizado da PM, sem qualquer chance de reação.

A perícia indicou que Thiago foi atingido por três tiros — um na perna, outro nas costas e o terceiro que perfurou suas canelas. A mãe do jovem, Priscila Menezes, declarou: “Ele era apenas um adolescente ceifado por essa necropolícia que a gente tem no nosso estado”. O pai, Hamilton Bezerra Flausino, afirmou que o filho foi executado no chão e negou qualquer troca de tiros no local.
Ambas as vítimas, Thiago e seu amigo, não tinham antecedentes criminais ou qualquer ligação com o tráfico, segundo a investigação. O caso gerou forte comoção na comunidade da Cidade de Deus, com protestos pedindo justiça e o fim da violência policial.






Você precisa fazer login para comentar.