PIB 2025 é divulgado pelo IBGE nesta terça em meio à crise interna por mudanças na equipe

Substituições na coordenação das Contas Nacionais geram apreensão sobre impacto na divulgação do indicador

O Produto Interno Bruto (PIB) de 2025 será divulgado nesta terça-feira sob nova coordenação no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em meio a uma crise interna que tem provocado mudanças na equipe responsável pelas Contas Nacionais. As recentes exonerações levantaram preocupações entre servidores sobre possíveis reflexos no andamento dos trabalhos técnicos.

Há pouco mais de um mês, a direção do instituto afastou da função a pesquisadora Rebeca Palis, que comandava a coordenação das Contas Nacionais havia 11 anos. Para o posto foi nomeado Ricardo Montes de Moraes, que assumiu no fim de janeiro, em um momento considerado sensível devido à preparação para a divulgação do principal indicador da economia brasileira.

O afastamento ocorreu em meio ao embate entre funcionários de carreira e o presidente do IBGE, Marcio Pochmann. Na semana passada, servidores divulgaram uma carta aberta denunciando o que classificaram como um processo de “caça às bruxas” dentro do órgão, citando uma série de exonerações de técnicos experientes.

Exonerações atingem equipe do PIB

Logo após a saída de Rebeca, outros três integrantes da divisão responsável pelos cálculos do PIB deixaram seus cargos de chefia. A movimentação aumentou a apreensão interna quanto ao cumprimento de prazos e à continuidade de revisões metodológicas em curso.

Entre os desligados está Cristiano Martins, então gerente de Bens e Serviços, que era apontado como substituto natural de Rebeca. Ele solicitou exoneração das funções em solidariedade à coordenadora, embora tenha permanecido como servidor concursado no instituto.

Também deixaram os cargos de gerência Claudia Dionísio, responsável pelas Contas Nacionais Trimestrais, e Amanda Tavares, gerente substituta da área. Com isso, a liderança de um dos setores mais estratégicos do IBGE perdeu parte de seus quadros mais experientes.

Mudança na base de cálculo amplia desafio técnico

Apesar das exonerações, os técnicos seguem atuando no instituto, ainda que fora das funções de comando. Segundo fontes internas, essa permanência permitiu a continuidade dos cálculos do PIB trimestral e a preparação da divulgação anual.

O momento é considerado delicado porque o IBGE conduz a atualização do ano-base do Sistema de Contas Nacionais. A referência deixa de ser 2010 e passa a ser 2021, o que envolve revisão de metodologias, incorporação de novas bases de dados e atualização das séries históricas.

Servidores avaliam que as mudanças na chefia ocorreram em meio a um processo técnico complexo, que exige estabilidade e coordenação para garantir a qualidade e a comparabilidade das estatísticas oficiais.

Crise institucional e críticas à nova fundação

A tensão no instituto se intensificou após a criação da Fundação de Apoio à Inovação Científica e Tecnológica do IBGE (IBGE+). A iniciativa foi alvo de críticas de servidores e do sindicato, que apontam riscos à autonomia institucional e à qualidade das pesquisas, devido ao caráter privado da entidade.

Desde então, funcionários têm promovido manifestações na sede do órgão e divulgado cartas públicas questionando decisões da presidência. Entre as críticas estão alegações de medidas consideradas autoritárias na condução administrativa.

Procurado para comentar as exonerações e a crise interna, o presidente do IBGE não se manifestou.

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