Uma das áreas verdes mais emblemáticas da cidade do Rio de Janeiro poderá receber o título de patrimônio cultural e imaterial do estado. A Assembleia Legislativa (Alerj) aprovou nesta terça-feira (10), em primeira discussão, o Projeto de Lei 1.922/2023, de autoria da deputada Verônica Lima (PT), que concede o reconhecimento ao Parque Lage, localizado no bairro do Jardim Botânico.
A área onde hoje funciona o parque tem origem no período colonial, quando o local abrigava um engenho de açúcar. As terras pertenciam a Antônio Salema, governador do Rio de Janeiro no século XVI, e se estendiam até as margens da atual Lagoa Rodrigo de Freitas.
No século XIX, a propriedade foi adquirida por um lorde inglês que contratou um paisagista para desenvolver um jardim em estilo romântico. Em 1859, o terreno passou a integrar o patrimônio da família Lage, que deu nome ao parque.
Entre 1913 e 1920, a área deixou temporariamente de pertencer à família, mas foi readquirida por Henrique Lage, empresário e neto de Antonio Martins Lage.
Apaixonado por artes e pela cantora lírica italiana Gabriela Besanzoni, ele promoveu mudanças no espaço, incluindo a construção de uma edificação inspirada em um palazzo romano e a reformulação do projeto paisagístico.
Patrimônio histórico e cultural
Com o passar das décadas, o local se consolidou como um importante ponto cultural e ambiental da cidade. Em 1957, o parque foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio histórico e cultural do Rio de Janeiro.
Desde 1966, o espaço também abriga atividades ligadas às artes. O antigo Instituto de Belas Artes deu origem, em 1974, à Escola de Artes Visuais do Parque Lage, instituição voltada à formação artística.
Além disso, desde 2004, o parque integra o território do Parque Nacional da Tijuca. A proposta apresentada no Legislativo estadual busca reconhecer esse conjunto histórico, cultural e ambiental ao declarar oficialmente o local como patrimônio cultural e imaterial do estado. O projeto ainda precisará passar por nova votação em plenário.






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