Padrasto preso por tortura: criança foi forçada a comer fezes e está entubada no Rio

“Estamos diante de um verdadeiro carrasco”, afirmou o delegado responsavel pelo caso

Israel Lima Gomes foi preso e está sendo investigado por um dos casos mais chocantes de tortura infantil registrados no Rio de Janeiro nos últimos anos. A vítima, sua enteada, está internada em estado grave e entubada no Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG), na UFRJ, após apresentar sinais de violência extrema.

A investigação é conduzida pela 37ª DP (Ilha do Governador), que já confirmou indícios de tortura sistemática. Segundo o delegado Felipe Santoro, titular da unidade, a criança teve o braço quebrado, sofreu uma lesão grave no duodeno e está com sepse abdominal, condição que representa risco iminente de morte.

O caso ultrapassa os limites da violência doméstica: “Estamos diante de um verdadeiro carrasco. A frieza das mensagens, o padrão de agressões e a omissão deliberada de socorro mostram um cenário de terror que vinha se arrastando há meses”, afirmou Santoro.

A crueldade fica ainda mais evidente em mensagens obtidas pela Polícia Civil entre o padrasto e a mãe da criança. Em uma das conversas, ela pergunta se a filha poderia estar passando mal por ter comido fezes — algo que, segundo relatos, já teria acontecido antes. A resposta do padrasto choca: “Ela é forte porque estou moldando ela na dor. Fica fraco quando é só amor.”

A menina também era frequentemente trancada sozinha em banheiros escuros, segundo relatos. A mãe, ouvida na delegacia, negou qualquer envolvimento nas agressões, apesar das mensagens trocadas com Israel.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, Israel Lima Gomes já possuía duas passagens anteriores: uma por violência doméstica e outra por importunação sexual contra uma menina de 12 anos.

A prisão do suspeito ocorreu no último sábado (17) e, segundo os investigadores, novas diligências estão em andamento para esclarecer todos os detalhes do caso, inclusive o possível grau de conivência da mãe da vítima.

A brutalidade do episódio tem gerado comoção e revolta, enquanto a menina segue lutando pela vida em uma unidade de terapia intensiva.

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