Por Ricardo Bruno
Após livrar-se da última condenação da Lava Jato, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha começa a traçar planos para sua “rentrée” efetiva na militância política. A campanha a federal por São Paulo, ano passado – malsucedida – funcionou como uma espécie de aquecimento para o retorno agora pleno e livre de questionamentos judiciais.
Ao concorrer no estado vizinho, Cunha se fiou exageradamente no suposto antipetismo dos paulistas. Pela primeira vez, buscou o chamado voto de opinião e não montou grandes esquemas de campanha. Achava que a aversão ao PT de parcela do eleitorado lhe garantiria a vitória, pois, acreditava encarnar como ninguém o papel de principal algoz do partido. Deu com os burros n’água: conseguiu míseros 5 mil votos.
Mesmo antes de se desvencilhar da última amarra judicial, o polêmico E.C. já havia tomado algumas decisões apontando para o futuro: resolveu deixar o PTB, partido pelo qual disputara o pleito em São Paulo, mas ainda não escolheu seu destino partidário. Quer deixar a filiação para o final do prazo, ganhando tempo para uma avaliação cuidadosa sobre a sigla mais conveniente.
Eleita com 75 mil votos pelo União Brasil, sua filha, Dany Cunha, pretende migrar para o Republicanos, insatisfeita com os rumos no Rio da sigla comandada pela dupla Bivar-Rueda.
É bem provável que – a exemplo do Nélson e Felipe Bornier em 2006, quando pai e filho se elegeram para a Câmara Federal – Eduardo Cunha tente uma vaga juntamente com a filha em 2026, dividindo com a ela o trabalho político por regiões do estado.
Com a decisão da 2ª Turma do STF nesta segunda-feira, todas as sentenças contra Eduardo Cunha estão formalmente anuladas. Em 2021, o próprio STF e o TRF de Brasília já haviam anulado duas outras de suas três condenações na Lava Jato.
A JUÍZA, O MARIDO E AS ELEIÇÕES EM ANGRA
A eleição à sucessão do prefeito Fernando Jordão já eletriza os políticos da cidade, numa antecipação do confronto nas urnas do próximo ano. Reeleito em 2020, Jordão vai lançar o seu atual secretário de Governo, o engenheiro Cláudio Ferreti. Com uma administração bem avaliada, o prefeito tem todas as pré-condições para fazer o sucessor.
Dois nomes tentam também o cargo: o ex-secretário de Governo, Venissius Barbosa, pelo Podemos. E Zé Augusto (PP), candidato derrotado por Fernando Jordão nas últimas eleições.
O primeiro é um dissidente, que tenta sem sucesso abrir espaço junto à base do próprio prefeito. Por ter tido muito espaço na administração, sua súbita transformação em adversário tem um “que” de oportunismo, interpretado como traição, por setores da sociedade angrense. Já a situação de Zé Augusto é ainda mais delicada, limítrofe ao conflito de interesse: é casado com a juíza da cidade, Andrea Mauro da Gama Lobo D‘Eça de Oliveira – responsável por algumas decisões sobre a administração municipal que necessariamente produzem consequências na rotina política da cidade. Há quem veja incompatibilidade ética total entre o papel da magistrada e as ambições eleitorais do marido. O caso pode ser levado à análise do CNJ
DIOGO BALIEIRO NO PL
O prefeito de Resende, Diogo Balieiro, bateu martelo: vai se filiar ao PL num acordo com o governador Cláudio Castro, referendado por Valdemar da Costa Neto. Com a iniciativa, não só fortalece do nome do seu candidato à sucessão – o médico Jayme Neto, atual secretário de Saúde – como inviabiliza a candidatura do principal nome de oposição, o vereador Renan Marassi, que vai perder o comando do PL no município.
Com movimento estratégico de filiação, Diogo trouxe também para perto os partidos que, no estado, transitam na órbita do Palácio Guanabara: PP, União Brasil e MDB.
A altíssima aprovação de sua gestão, com trabalho exemplar na saúde pública (o prefeito é médico), lhe garante força suficiente para, em condições normais de temperatura e pressão, eleger o sucessor.
CONTAS DE CLÁUDIO CASTRO DEVEM SER APROVADAS PELO TCE
Daqui a pouco, às 14h30m, o TCE analisa as contas de 2022 do governador Cláudio Castro. A tendência é que contas sejam aprovadas. A relatora é a conselheira substituta Andrea Siqueira Martins, integrante do corpo técnico da Corte e seu parecer – imune a influências políticas – é favorável. Também o MP emitiu parecer pela aprovação. Haverá ressalvas, uma delas diz respeito à utilização de recursos dos royalties na educação. A lei que autoriza esse tipo de operação fora declarada inconstitucional. . O canal do Youtube do tribunal transmite ao vivo.
ELEIÇÃO EM CAXIAS
Tudo faz crer que o candidato de Washington Reis na cidade será seu sobrinho o empresário Netinho Reis. A vice deve ser a esposa do deputado federal Áureo Ribeiro, Aline Ribeiro, atual subsecretária de Assistência Social.
EM NITERÓI, RODRIGO É O CANDIDATO
O ex-prefeito e atual secretário Executivo da administração municipal, Rodrigo Neves, negaceia, jura de pé junto que está fora do jogo; afirma que Axel Grael será candidato à reeleição, mas, na máquina, já não restam dúvidas: ele será o candidato no próximo ano.
Com o ótimo recall de sua gestão, Rodrigo tem maior potencial de vitória. Pesquisas para consumo interno da equipe apontam nesta direção. O ex-prefeito deve ter o apoio do PT, que desde sua administração tem espaços generosos na máquina. A deputada Verônica Lima é entusiasta da ideia. Até mesmo o governador Cláudio Castro pode apoiá-lo.
Esvaziamento
Na oposição, pela extrema direita, o deputado Carlos Jordy, que passa por um processo de esvaziamento político. Eleito em 2018 com 204 mil votos, nas últimas eleições viu balaio de votos desidratar para 114 mil. Além disto, não conseguiu eleger os irmão vereador em 2020. A conferir
TUTUCA EXONERADO
Gustavo Tutuca foi exonerado nesta terça-feira do comando da secretária de Turismo. Mas continua no comando da Pasta. Retomará o mandato na Alerj por três dias apenas para poder desarquivar alguns projetos de sua autoria.
Logo depois, volta à Setur, onde realiza um ótimo trabalho.





