A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo deflagraram nesta quarta-feira (11) uma operação para desarticular uma rede criminosa ligada ao principal líder do Comando Vermelho em Rio Claro, no interior paulista. A investigação aponta que o grupo atua no tráfico de drogas na região e mantém conexões com integrantes da facção no Rio de Janeiro.
O principal alvo da ação foi Leonardo Felipe Panono Scupin Calixto, conhecido como Léo Bode, apontado como responsável por coordenar atividades do tráfico na cidade mesmo estando fora do Estado. Segundo investigadores, ele teria estruturado uma espécie de comando remoto das operações criminosas.
Ao todo, foram expedidos 19 mandados de prisão e 26 mandados de busca e apreensão. Seis dos mandados são contra suspeitos que já estão presos e outros três atingem investigados considerados foragidos, incluindo o próprio Léo Bode.
Prisões e apreensões em diversas cidades
Pelo menos cinco pessoas foram presas durante a operação: duas em Rio Claro, uma em Ribeirão Preto, outra em Indaiatuba e uma em São Carlos, conforme informações preliminares obtidas pelas autoridades.
As ações também ocorreram em outros municípios paulistas, como Leme, Colômbia, Cordeirópolis e Jaú, além da cidade de Manhumirim, em Minas Gerais. Neste último caso, o alvo seria um parceiro de negócios ligado ao líder investigado.
A Justiça paulista também determinou o sequestro de bens atribuídos aos suspeitos, incluindo 12 imóveis, 39 veículos e mais de R$ 33,6 milhões em contas bancárias.
Investigação busca conter expansão da facção
Batizada de Operação Linea Rubra, a ofensiva tem como objetivo conter a expansão do Comando Vermelho no interior de São Paulo. A ação é coordenada pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Rio Claro em conjunto com o núcleo de Piracicaba do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Secretaria da Fazenda estadual.
As investigações indicam que Léo Bode teria assumido a liderança do grupo criminoso após a prisão de Anderson Ricardo de Menezes, conhecido como Magrelo ou Teneré, apontado anteriormente como chefe da facção na cidade.
Magrelo foi preso em 2023 e atualmente cumpre pena de 23 anos de prisão por um homicídio. A defesa afirma que ele é inocente e nega qualquer envolvimento com organização criminosa ou assassinatos na região.
Disputa entre facções intensificou violência
De acordo com a Polícia Civil, a violência em Rio Claro aumentou significativamente nos últimos anos devido à disputa entre integrantes do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Os confrontos entre as facções teriam resultado em execuções em locais públicos e movimentados da cidade, muitas vezes em plena luz do dia.
Após a prisão de Magrelo, investigadores apontam que houve um “vácuo de poder” no grupo criminoso, situação que teria sido rapidamente ocupada por Léo Bode.
Comando do crime a distância
Segundo as autoridades, o suspeito teria reforçado vínculos com o Comando Vermelho e passado a comandar as operações do tráfico em Rio Claro a partir do Rio de Janeiro.
O modelo de atuação incluiria viagens rápidas de integrantes da facção para o interior paulista com o objetivo de executar rivais e fortalecer o domínio territorial.
De acordo com a polícia, o líder investigado também seria responsável por organizar a produção, aquisição e distribuição de drogas em larga escala, além de controlar a logística de transporte e a movimentação financeira da organização.
Estrutura profissional e movimentação milionária
As investigações indicam que o grupo possui uma estrutura organizada, com divisão de funções entre os integrantes e uso de mecanismos para ocultar recursos.
Entre as estratégias utilizadas estão veículos adaptados com compartimentos secretos para transporte de drogas e dinheiro, empresas de fachada e o uso de “laranjas” para esconder patrimônio.
A polícia identificou movimentações financeiras superiores a R$ 1,19 milhão em menos de um mês, provenientes principalmente do tráfico de drogas e da comercialização ilegal de armas.
Um dos alvos da operação é Luan Barbosa de Almeida Félix, apontado como braço direito de Léo Bode e suspeito de atuar como gestor operacional e financeiro da organização.
Segundo investigadores, ele também estaria no Rio de Janeiro, possivelmente na comunidade Fallet-Fogueteiro, área dominada pela facção criminosa.
Operação mobiliza mais de 120 policiais
Cerca de 120 policiais civis participam da operação, além de três promotores de Justiça e equipes da Secretaria da Fazenda. A ação também conta com apoio do Serviço Aerotático.
Os investigados podem responder por crimes como organização criminosa, associação para o tráfico de drogas, homicídio e lavagem de dinheiro.






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