Operação Foco amplia fiscalização e registra salto de 102% em multas nas divisas do RJ

Reformulação da operação e integração entre GSI e Secretaria de Fazenda elevaram autuações e aumentaram arrecadação com combate à sonegação fiscal no estado.

A Operação Foco, responsável pela fiscalização de cargas nas entradas do estado do Rio de Janeiro, registrou um crescimento expressivo no número de autuações após mudanças na sua estrutura de comando e planejamento. Os dados mais recentes apontam que a quantidade de multas aplicadas mais que dobrou em comparação ao mesmo período do ano anterior.

A operação deixou de ser vinculada à Casa Civil e passou para a gestão do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) em 30 de abril, por determinação do governador em exercício Ricardo Couto. Poucos dias depois, em 11 de maio, foi implementado um novo modelo de atuação conjunta entre o GSI e a Secretaria de Estado de Fazenda.

Segundo informações divulgadas pela Secretaria de Fazenda, os três postos de fiscalização localizados nas divisas fluminenses emitiram 873 multas durante maio de 2026, totalizando R$ 39 milhões em penalidades.

Aumento expressivo nas autuações

No mesmo período de 2025, haviam sido registradas 431 autuações, que resultaram em aproximadamente R$ 11 milhões em multas. Com isso, o crescimento alcançou 102% no número de infrações identificadas e ultrapassou 250% no valor financeiro das penalidades aplicadas.

A principal missão da Operação Foco é monitorar o transporte de mercadorias para impedir práticas de sonegação de impostos estaduais. Entre os produtos que mais geram autuações estão bebidas, alimentos, combustíveis e cigarros.

A estratégia faz parte dos esforços do governo estadual para ampliar a arrecadação tributária e fortalecer a fiscalização sobre a circulação de cargas que entram no território fluminense.

Governo pretende intensificar fiscalização

De acordo com o secretário estadual de Fazenda, Guilherme Mercês, o objetivo da fiscalização vai além da recuperação de receitas tributárias. A medida também busca combater práticas de concorrência desleal que prejudicam empresas que atuam dentro da legalidade.

Segundo o secretário, o fortalecimento das ações fiscais contribui para a criação de um ambiente de negócios mais equilibrado, favorecendo a atração de investimentos e a geração de empregos no estado.

A expectativa do governo é ampliar ainda mais a atuação da Operação Foco nos próximos meses, mantendo o combate à evasão fiscal como uma das prioridades da administração estadual.

Setor de combustíveis também está na mira

Paralelamente à fiscalização nas rodovias, a Secretaria de Fazenda intensificou as ações voltadas para o mercado de combustíveis. No último dia 4 de junho, o governo estadual anunciou o bloqueio das inscrições estaduais de 19 empresas do setor.

Entre as empresas atingidas estão integrantes do Grupo Refit. Segundo a Receita Estadual, a medida foi adotada após a identificação de pendências e irregularidades tributárias.

As ações fazem parte de uma estratégia mais ampla para combater a sonegação fiscal em um dos segmentos considerados mais sensíveis para a arrecadação estadual.

Investigação envolve empresas e ex-secretário

Após uma operação realizada pela Polícia Federal em maio, a Secretaria de Fazenda iniciou uma fiscalização abrangente em empresas ligadas ao Grupo Refit. O trabalho inclui a análise de possíveis irregularidades relacionadas à concessão de incentivos fiscais.

O ex-secretário estadual de Fazenda Juliano Pasqual foi um dos alvos da operação conduzida pela Polícia Federal em 16 de maio. A investigação apura suposta influência do Grupo Refit em órgãos da administração estadual, incluindo a própria Secretaria de Fazenda.

Juliano Pasqual nega as acusações e afirma não ter cometido irregularidades. As apurações seguem em andamento pelas autoridades competentes.

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