A Organização das Nações Unidas (ONU) condenou hoje (19) o assassinato ocorrido quinta-feira da líder quilombola e ialorixá Bernardete Pacífico, no Quilombo Pitanga dos Palmares, na Bahia. Conforme publicado pela Agência Brasil, o escritório regional para a América do Sul da ONU Direitos Humanos manifestou solidariedade à família e à comunidade, e convocou o Estado Brasileiro a realizar uma investigação “célere, imparcial e transparente” sobre o caso.
“A ONU Direitos Humanos manifesta sua solidariedade com a família e a comunidade dessa reconhecida mulher negra, quilombola, representante de uma religião de matriz africana e defensora do seu território”, diz o comunicado.
Mãe Bernadete, como era conhecida, foi enterrada hoje, às 11h, no Cemitério Ordem Terceira de São Francisco, ao lado do filho, que há seis anos também foi executado a tiros no quilombo. Nos dois casos, os suspeitos fugiram e ninguém foi preso.
Ainda no comunicado, a ONU Direitos Humanos ressaltou a luta de Mãe Bernadete para elucidar o assassinato do filho em 2017. A nota diz ainda que a Yalorixá sempre denunciou a violência enfrentada pelas comunidades quilombolas.
“A ONU Direitos Humanos convoca o Estado brasileiro a realizar uma investigação célere, imparcial e transparente, e que sejam respeitados os mecanismos de proteção legal para o amparo das comunidades quilombolas, bem como medidas de proteção e reparação para os familiares e a comunidade de Bernadete Pacífico”, diz o texto.
“Diante da constante violência, o organismo reforça o apelo pela proteção a lideranças e pessoas defensoras dos direitos humanos. Nesse sentido, chama o Estado a cumprir seu dever de proteger a vida, a integridade pessoal, os territórios, a liberdade religiosa e os recursos naturais desses povos”, ressalta o comunicado.
Mãe Bernadete foi assassinada dentro do quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho. Na ocasião, ela assistia televisão com os três netos. Neste sábado, amigos e familiares de Mãe Bernadete participaram de um ritual de candomblé no quilombo. Depois, o mesmo grupo homenageou a ialorixá com um samba. Segundo o filho dela, Jurandir Wellington Pacífico, o samba era o “último pedido” da mãe.
Em entrevista ao Correio 24 horas, pouco da despedida final à mãe, Wellington dos Santos, filho de Bernadete, afirmou que temia pela sua segurança. A líder do quilombo foi morta mesmo sob proteção da Polícia Militar, através do programa da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos da Bahia (SJDH).
– Eu sou o próximo, não tenho dúvida. Mataram o meu irmão há quase seis anos e agora executaram a minha mãe. Eles podem ter conseguido calar minha mãe, que cobrava justiça pela morte do meu irmão, mas eu estou aqui para continuar essa luta pela punição daqueles que mandaram e mataram minha mãe e meu irmão – disse Wellington.
A Polícia Federal e a Polícia Civil da Bahia investigam o caso.





