Novo primeiro-ministro britânico abandona projeto do governo anterior de fretar aviões para expulsar imigrantes para Ruanda

Líder trabalhista propõe combater as máfias que sustentam chegadas ilegais pelo Canal da Mancha

O novo primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, confirmou neste sábado (6) sua intenção de abandonar o plano do governo anterior, conservador, de expulsar migrantes em situação irregular para Ruanda. Durante entrevista coletiva realizada depois do primeiro conselho de ministros de seu governo, Starmer afirmou que o projeto “já estava morto e enterrado antes mesmo de começar” e que não está disposto a “continuar com medidas enganosas”.

Durante a campanha eleitoral, Starmer já havia anunciado sua intenção de abandonar o projeto do governo conservador anterior de fretar aviões para Ruanda com migrantes irregulares. O líder trabalhista propõe combater as máfias que sustentam essas chegadas.

O ex-primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, tentou implementar essa medida dissuasiva para deter a chegada de migrantes em pequenas embarcações cruzando o Canal da Mancha, que separa as costas da Inglaterra e da França. No entanto, Sunak e seu antecessor conservador, Boris Johnson, sempre enfrentaram resistência das organizações de defesa dos direitos humanos.

A imigração tornou-se uma questão política importante no Reino Unido desde que o país deixou a União Europeia (UE) em 2020. Para Starmer, um elemento-chave na política para deter a chegada de pessoas através do Canal da Mancha seria a criação de um novo comando de segurança de fronteira de elite, composto por especialistas em imigração, com o apoio do serviço de inteligência nacional MI-5.

Mais de 13 mil pessoas chegaram à Grã-Bretanha este ano cruzando o Canal da Mancha em pequenas embarcações, um aumento de 18% em relação ao mesmo período de 2023, informou o Ministério do Interior britânico no mês passado. Em 2023, foram registradas 29.437 chegadas por essa via, representando uma queda de 36% em relação ao recorde de 45.774 pessoas em 2022.

Com informações de O Globo.

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