Na posse de Donald Trump, marcada para 20 de janeiro, um protocolo discreto, mas vital, estará em vigor: o do “sobrevivente designado”. Essa figura é escolhida entre os membros da linha sucessória presidencial para garantir a continuidade do governo no caso de uma catástrofe que elimine as principais lideranças do país.
O conceito do sobrevivente designado surgiu durante a Guerra Fria, quando o medo de ataques devastadores moldou protocolos de segurança. A ideia é simples: em eventos como a posse presidencial ou o tradicional discurso do Estado da União, nos quais a elite política e militar americana se reúne, uma pessoa da linha sucessória é mantida em um local seguro, longe do evento.
Códigos nucleares acompanham ‘sobrevivente designado’
Esse indivíduo, geralmente de escalão mais baixo, é levado para um local sigiloso, acompanhado por agentes do Serviço Secreto, um oficial militar com os códigos nucleares e, muitas vezes, um médico. Se uma tragédia ocorrer, essa pessoa assume a presidência imediatamente.
O protocolo também foi explorado na cultura popular, como na série Designated Survivor (Netflix, 2016), em que Kiefer Sutherland interpreta um secretário de habitação que se torna presidente após um ataque devastador ao Capitólio.
Curiosidades sobre a função destacam momentos inusitados, como o relato de Dan Glickman, ex-secretário de Agricultura de Bill Clinton. Durante um discurso do presidente ao Congresso, ele foi levado ao apartamento de sua filha, em Nova York, sob proteção intensa. Quando o evento terminou e o presidente estava seguro, os agentes de segurança foram embora, deixando Glickman sem transporte em meio a uma nevasca. “Três horas antes, eu poderia me tornar a pessoa mais poderosa do planeta. Agora, não conseguia nem pegar um táxi”, brincou.
Somente americanos natos podem ocupar função
Para ser sobrevivente designado, a pessoa deve atender aos requisitos constitucionais para a presidência: ser cidadão nato, ter pelo menos 35 anos e residir nos EUA por 14 anos ou mais. Alguns membros do gabinete, como Madeleine Albright (nascida na Tchecoslováquia) e Elaine Chao (nascida em Taiwan), nunca puderam exercer essa função, já que não são cidadãos natos.
O protocolo é mais um exemplo das medidas minuciosas que os EUA adotam para proteger a estrutura de governo, mesmo nos cenários mais improváveis.
Com informações da CNN Brasil





