O Ministério Público do Rio (MPRJ) e a Procuradoria Nacional Antimáfia e Antiterrorismo da Itália estão em tratativas para formalizar, em julho, na cidade de Palermo, um acordo de cooperação para o combate à criminalidade organizada. O pacto prevê a troca segura de informações e a formação de grupos conjuntos de investigação, com foco na repressão a organizações criminosas que atuam além das fronteiras nacionais.
O anúncio foi feito durante reunião realizada nesta quinta-feira (26), na sede do MPRJ, entre o procurador-geral de Justiça do Rio, Antonio José Campos Moreira, e o procurador nacional antimáfia e antiterrorismo da Itália, Giovanni Melillo. O encontro marca a consolidação das conversas iniciadas entre os dois líderes em março deste ano, em Roma, quando foram discutidas as estratégias italianas para o desmantelamento de redes mafiosas.
“A criminalidade organizada não reconhece fronteiras. Sabemos que organizações criminosas brasileiras têm ramificações no exterior, assim como grupos estrangeiros atuam no Brasil. Por isso, essa parceria é de superlativa importância. O acordo que será assinado em Palermo é um passo decisivo para fortalecer nossa atuação conjunta”, destacou Antonio José.
Giovanni Melillo reforçou a urgência da cooperação internacional frente à globalização dos fenômenos criminais. “As organizações criminosas hoje têm presença na Europa e na América Latina. A colaboração judicial entre os países é mais que uma necessidade — é um dever. Estamos no Brasil para aprender com a valiosa experiência dos colegas brasileiros no enfrentamento ao crime organizado”, afirmou o procurador italiano, que também visitou Brasília e São Paulo durante sua passagem pelo país.
Após a reunião, a comitiva italiana conheceu a estrutura e as estratégias do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ). A coordenadora do grupo, promotora de Justiça Letícia Emile, apresentou um panorama da criminalidade organizada no Brasil, destacando paralelos com a máfia italiana, como o controle territorial, a violência sistemática e os vínculos com a corrupção e a lavagem de dinheiro.
O promotor Fabio Corrêa, também coordenador do GAECO e do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP/MPRJ), abordou o crescimento das milícias no país — formadas, em grande parte, por agentes de segurança — que passaram a dominar territórios e expandir suas atividades econômicas ilegais.
O encontro também contou com a presença de representantes do projeto EL PAcCTO 2.0, programa internacional que busca reforçar a articulação entre instituições de Justiça e segurança da Europa e da América Latina no enfrentamento ao crime transnacional. Para o diretor adjunto do projeto, Giovanni Tartaglia Polcini, o acordo entre Brasil e Itália reforça essa estratégia. “Já temos indicadores que mostram que essa interlocução é uma ferramenta eficaz de cooperação internacional”, afirmou.
Estiveram presentes ainda, pelo MPRJ, o subprocurador-geral de Justiça de Atuação Especializada, Claudio Varela; o chefe de gabinete, Guilherme Schueler; e a assessora internacional Carina Senna. A comitiva italiana foi composta também pela procuradora nacional adjunta antimáfia e antiterrorismo, Barbara Sargenti, e pela gerente de projeto sênior do EL PAcCTO 2.0, Claudia Gatti. O procurador-chefe da Procuradoria Regional da República da 2ª Região, Leonardo Cardoso de Freitas, também participou do encontro.





