O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) realizou, nesta quinta-feira (9), uma operação em cinco unidades prisionais do estado com o objetivo de combater a atuação do crime organizado na Região dos Lagos. A ação, batizada de “Controle Remoto”, teve como foco a apreensão de celulares utilizados por lideranças do tráfico para comandar atividades criminosas à distância. As informações foram divulgadas pelo próprio MPRJ.
De acordo com o órgão, os mandados de busca e apreensão foram cumpridos no âmbito de investigação conduzida pela 1ª Promotoria de Justiça de Armação dos Búzios. A medida mira suspeitos de continuar articulando crimes mesmo após a prisão, especialmente nas cidades de Búzios, Cabo Frio e municípios vizinhos.
Operação mira comunicação de presos
Durante a operação, agentes apreenderam celulares, pen drives, chips de operadoras e cadernos com anotações. O objetivo é interromper a cadeia de comando do tráfico que, segundo as investigações, continua ativa dentro das unidades prisionais.
Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara das Garantias e cumpridos pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MPRJ, em conjunto com a Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen). As buscas ocorreram nos presídios Gabriel Ferreira de Castilho, Alfredo Tranjan, João Carlos da Silva, Tiago Teles de Castro Domingues e na Cadeia Pública Paulo Roberto Rocha.
Violência em alta na Região dos Lagos
A ofensiva do Ministério Público ocorre em meio ao aumento expressivo da violência na Região dos Lagos. Segundo a Promotoria, em menos de dois meses foram registrados diversos confrontos entre facções criminosas, resultando em 37 pessoas baleadas — sendo dez mortes e 27 feridos.
As investigações apontam que a escalada da violência está ligada à tentativa de expansão territorial da facção Comando Vermelho, que busca ampliar sua atuação em Búzios e Cabo Frio.
Estratégia de expansão e controle
Relatórios do 25º BPM (Cabo Frio) indicam que lideranças do tráfico, mesmo presas, seguem influenciando diretamente as ações criminosas. Entre as estratégias identificadas estão o aliciamento de integrantes de facções rivais e o comando de operações nas ruas por meio de celulares.
Ainda segundo o MPRJ, o interesse do grupo criminoso vai além do tráfico de drogas. A facção também busca controlar serviços ilegais ou informais, como distribuição de gás, internet e transporte, ampliando suas fontes de lucro na região.
A atuação remota dos líderes presos, principalmente via aparelhos telefônicos, é considerada o eixo central da investigação, que segue em andamento.





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