A Procuradoria-Geral de Justiça do Rio decidiu dar novo fôlego à apuração que investiga a suposta prática de “rachadinha” no gabinete de Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O órgão considerou prematuro o arquivamento do caso e determinou que o procedimento seja reavaliado por outra Promotoria, que poderá decidir pela realização de novas diligências.
A decisão foi assinada no último dia 9 pelo subprocurador-geral de Justiça de Atribuição Originária, Marcelo Pereira Marques. Ele rejeitou o pedido de arquivamento da investigação e determinou a redistribuição do caso para nova análise no Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ.
Entenda o caso
A investigação apura a suspeita de recolhimento de parte dos salários de assessores parlamentares — prática conhecida como “rachadinha” — no período em que Carlos Bolsonaro exercia mandato como vereador na Câmara Municipal do Rio.
Em setembro, o promotor Alexandre Graça apresentou denúncia contra sete ex-integrantes do gabinete de Carlos, mas não incluiu o ex-vereador entre os acusados. Na ocasião, o promotor sustentou que não foram identificadas irregularidades na movimentação financeira de Carlos Bolsonaro.
Após essa decisão, a Justiça do Rio devolveu o procedimento ao Ministério Público, apontando inconsistências e questionamentos na condução da apuração.
Arquivamento considerado prematuro
Ao analisar o caso, a cúpula do MP-RJ entendeu que o encerramento da investigação ocorreu sem a realização de diligências consideradas relevantes. Entre os pontos não aprofundados estão:
- A análise de transações imobiliárias do ex-vereador;
- Questionamentos a operadoras de plano de saúde sobre a forma de pagamento de boletos;
- Outras verificações que, em casos semelhantes, foram utilizadas para embasar investigações.
Essas diligências foram consideradas importantes em apurações relacionadas ao senador Flávio Bolsonaro (PL), irmão de Carlos, embora naquele caso a denúncia tenha sido posteriormente arquivada após decisões judiciais que anularam provas.
Diferenças nas movimentações financeiras
Segundo a investigação, Carlos Bolsonaro e Flávio Bolsonaro apresentavam padrões distintos de movimentação bancária. O ex-vereador teria sacado cerca de 90% do salário em espécie, enquanto o senador realizou poucas retiradas em dinheiro vivo.
Para investigadores, o alto volume de saques pode dificultar a identificação de eventual desvio, uma vez que haveria justificativa formal para transações em dinheiro. Já o promotor Alexandre Graça afirmou que todas as diligências consideradas necessárias foram realizadas e que críticas ao arquivamento decorrem de desconhecimento da investigação.
Defesa
A defesa de Carlos Bolsonaro não se manifestou até a publicação desta matéria. Em manifestação anterior, quando o arquivamento havia sido anunciado, o ex-vereador afirmou ter recebido a decisão com tranquilidade e declarou confiar plenamente em seus ex-assessores.
“Confio em todos os meus funcionários e tenho absoluta certeza que todos os envolvidos demonstrarão a fragilidade da acusação e suas inocências”, afirmou à época.
O que acontece agora
Com a redistribuição do procedimento, uma nova Promotoria irá avaliar se há necessidade de aprofundar as investigações ou adotar outras medidas. O caso volta ao centro do debate político no Rio de Janeiro e pode ter desdobramentos judiciais nos próximos meses.





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