A reunião entre o ministro de Portos e Aeroportos, Márcio França, o governador do Rio, Cláudio Castro, e o prefeito da capital, Eduardo Paes, não foi definitiva, conforme previsto, mas trouxe avanços.
França disse que há consenso sobre a necessidade de se limitar as operações no Santos Dumont, como uma forma de recuperar os voos no Galeão.
A ideia seria restringir os destinos no terminal central do Rio de Janeiro à ponte aérea Rio-São Paulo e alguns outros trechos, como Rio-Brasília, por exemplo. Essa medida, defendida pelas autoridades do Rio, ficou de ser estudada pelo governo federal.
— O governador e o prefeito fizeram uma proposta para reduzir os destinos no Santos Dumont, a Rio-São Paulo e Brasília. Mas é uma proposta, a gente vai adequar naquilo que a gente pode fazer. Tudo isso é com um objetivo, não é contra o Santos Dumont, é para fazer com que o Galeão possa recuperar os seus passageiros — informou o ministro.
Haverá outra reunião nesta quarta-feira, e desta vez com os executivos da Changi, operadora de Cingapura que administra o Galeão, para que a concessionária formalize a intenção de desistir de devolver o aeroporto e demonstre real intenção de manter o contrato. Até agora isso ainda não aconteceu. Caso contrário, a operadora será cobrada a devolver o concessão imediatamente.
— Encontramos a solução jurídica para efeitos de renovar a concessão e permitir que eles façam a desistência da desistência. Agora, todo esforço está sendo feito por nós, que somos poderes públicos. Queremos que a empresa também faça o seu esforço — disse França.
A proposta do governo, e aprovada pelas autoridades do Rio, é que a Infraero, que é sócia minoritária no negócio, assuma o Galeão temporariamente e faça uma coordenação com o Santos Dumont para melhor distribuir os voos.
O prefeito Eduardo Paes disse que o esvaziamento do Galeão é fruto de politicas públicas equivocadas nos últimos anos.
– Nós queremos dois destinos a partir do Santos Dumont: Congonhas e Brasília, e que o governo federal, usando um ativismo estatal, possa transferir os voos que hoje estão no Santos Dumont para o Galeão. O destino Rio se desequilibrou, hoje temos muito mais gente no Santos Dumont do que no Galeão. Portanto, menos voos internacionais irão para o Rio. O que estamos tentando fazer é reequilibrar essa balança – disse Paes.
Para Paes, se a Changi tiver que sair, que se defina logo:
– Se a Changi tiver que sair, que ela saia logo e que a Infraero assuma, até porque você já pode preparar uma licitação da maneira adequada, onde Galeão e Santos Dumont são licitados em conjunto.
O prefeito disse não ver problemas se os dois aeroportos ficarem sob operação da Infraero, ainda que temporariamente.
O governador Cláudio Castro diz que, do ponto de vista do governo do Estado, não há preferência sobre quem irá operar o Galeão, mas que é preciso tomar medidas para recuperar o aeroporto.
— A gente não está aqui para fazer advocacia de empresa alguma. Se ele (Galeão) vai ser pela Infraero, pela Changi, o governo federal, que é o dono, é que tem que dizer. Estamos aqui para defender o Galeão, que é um equipamento fundamental para o Rio de Janeiro, nosso aeroporto internacional, que ele seja valorizado — destacou.
Segundo Castro, o modelo atual de operação do Galeão é inviável economicamente.
— Da maneira que a política está posta hoje, ele (Galeão) vai à falência. A nossa proposta aqui é uma proposta clara. Antigamente, o Santos Dumont funcionava na verdade como ponte aérea. Como a gente tem hoje uma questão importante em Brasília, a nossa proposta é que Santos Dumont voe para Congonhas e Brasília, e o resto seja transferido para o Galeão — afirmou.
As informações são do Globo online.





