Ministro de Israel envia carta a Eduardo Bolsonaro com críticas ao Brasil por investigar soldado israelense

Justiça federal mandou investigar soldado que estava de férias no Brasil; ele é acusado de cometer crimes de guerra em Gaza

O ministro israelense de Assuntos da Diáspora e Combate ao Antissemitismo, Amichai Chikli, enviou uma carta ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), qualificando como “uma desgraça para o governo brasileiro” a decisão da Justiça Federal de investigar um soldado israelense acusado de crimes de guerra durante ação militar de seu país em Gaza.

O pedido de investigação foi feito pela ONG Hind Rajab Foundation, que ganhou notoriedade por identificar, com base em publicações online, militares israelenses que cometem crimes de guerra e alertar autoridades locais sobre sua presença no exterior. O soldado, identificado como Yuval Vagdani, de 21 anos, deixou o Brasil no domingo.

A justificativa para investigar o soldado é o fato de o Brasil ser signatário de tratados internacionais de direitos humanos, como a Convenção de Genebra e o Estatuto de Roma, sendo legalmente comprometido a agir contra crimes de guerra, mesmo quando estes ocorrem fora do país.

O ministro israelense criticou a Fundação Hind Rajab afirmando que seus líderes seriam simpatizantes de grupos como o Hamas e o Hezbollah, e que até defendem o atentado de 11 de setembro de 2001. Chikli também criticou o governo brasileiro, alegando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua administração apoiam a investigação contra o soldado israelense, mesmo que a decisão tenha partido do Judiciário. Segundo ele, a atitude do governo brasileiro é uma vergonha, principalmente devido à proximidade do 80º aniversário da libertação de Auschwitz.

Chikli recorreu ao deputado Eduardo Bolsonaro — representante da extrema direita brasileira e apoiador do projeto colonialista de Israel — para expor a ação da HRF, que, segundo ele, se disfarça de organização de direitos humanos, mas abriga simpatizantes do Hamas e do Hezbollah. O soldado Vagdani estava na Bahia e, ao saber da ordem judicial, foi orientado pelo pai a deixar o país imediatamente, o que ocorreu com apoio da Embaixada de Israel em Brasília.

A HRF, com sede em Bruxelas, acusa Vagdani de participar de demolições em Gaza, em uma campanha que a ONG considera destrutiva. O soldado teria postado um vídeo de um local em Gaza antes das demolições, o que foi utilizado como evidência pela organização.

Israel justifica suas ações em Gaza como legítima autodefesa após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, quando o grupo militante matou cerca de 1.200 pessoas e sequestrou outras 250.

Entretanto, as ações do país sionista têm sido apontadas como desproporcionais, uma vez que já mataram mais de 45 mil palestinos, incluindo mulheres e crianças, além de usarem a fome como arma de guerra e até dispositivos proibidos pela ONU, como as bombas de fósforo branco.

Com informações de O GLOBO.

Leia mais:

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading