Milícias lideram denúncias recebidas pela Ouvidoria do MPRJ no primeiro trimestre de 2025

Atendimentos presenciais e por telefone crescem, e Campo Grande aparece como epicentro de violações em diferentes áreas

A atuação de grupos paramilitares foi o tema mais denunciado pela população fluminense à Ouvidoria do Ministério Público do Rio (MPRJ) no primeiro trimestre de 2025. Foram 599 manifestações relativas à presença de milícias, concentradas especialmente na capital, com destaque para o bairro de Campo Grande, na Zona Oeste, que sozinho registrou 84 comunicações.

No total, a Ouvidoria recebeu 15.860 manifestações da sociedade entre janeiro e março, número que representa crescimento tanto nos atendimentos telefônicos, com alta de 23%, quanto nos presenciais, que subiram 27% em relação ao trimestre anterior. A análise mostra não apenas o aumento na busca por canais oficiais, mas também a diversificação dos meios de escuta da população.

“A Ouvidoria do MPRJ é um canal de conexão da sociedade e queremos que as demandas sejam encaminhadas de forma eficiente e célere”, afirmou o ouvidor-geral David Francisco de Faria. Para ele, o volume de comunicações demonstram a importância do trabalho em defesa dos direitos da população fluminense.

Violência de gênero em evidência

A Ouvidoria da Mulher, que atua com escuta qualificada em casos de violência de gênero, contabilizou 1.986 manifestações no período, sendo a maioria (1.905) oriunda de outros canais de ouvidoria. Os tipos de violência mais frequentes foram lesão corporal (523) e ameaça (522)Santa Cruz, na Zona Oeste, liderou os registros.

Para aprimorar o acolhimento, o espaço físico da Ouvidoria da Mulher foi ampliado, com mais privacidade para as vítimas. A coordenadora Karina Rachel Tavares Santos destaca o esforço em ampliar a presença do canal junto à rede de enfrentamento à violência. O foco segundo ela, é estreitar vínculos com as instituições parceiras e ampliar a visibilidade da Ouvidoria da Mulher.

Campo Grande lidera em múltiplas violações

Além das denúncias contra milícias, o bairro de Campo Grande figura como epicentro de reclamações em diversas áreas:

  • Violência contra idosos: maior número de registros na capital, com 744 denúncias no total, sendo 170 por negligência e 136 por abuso financeiro.
  • Falta de água: das 267 reclamações sobre fornecimento, 69 vieram da capital e Campo Grande foi o bairro mais citado.
  • Violência contra crianças e adolescentes: Campo Grande novamente aparece entre os líderes de denúncias.

Outros temas de destaque

  • Improbidade administrativa: 818 manifestações, especialmente no Centro do Rio.
  • Poluição sonora: 142 queixas, com concentração em Vila Isabel.
  • Saúde pública: queixas por falta de atendimento médico, principalmente em Acari, Copacabana e Santa Cruz.
  • Educação: denúncias por falta de concurso público e de profissionais, com registros expressivos no Centro e em Nilópolis.

Expansão e agilidade no atendimento

A Ouvidoria também investiu em novas frentes de atuação. Formulários temáticos foram disponibilizados no site do MPRJ, incluindo um específico para denúncias de racismo. A Ouvidoria Itinerante percorreu localidades como Itaguaí, Copacabana, Leblon, Tijuca e o Maracanã, e promoveu articulações com órgãos como a Polícia Civil e a Secretaria da Mulher de Nova Iguaçu.

Das quase 16 mil manifestações, 97% foram analisadas em até dez dias, e 85% dos usuários que usaram o canal telefônico declararam-se satisfeitos com o atendimento. Também foram respondidos 79 pedidos com base na Lei de Acesso à Informação, com média de resposta em 13 dias.

Participação em todo o estado

A capital concentrou o maior volume de comunicações, com 3.389 registros. A Região Metropolitana somou 6.713 manifestações, sendo 1.865 apenas da Baixada Fluminense. O interior do estado contabilizou 3.413 comunicações. Entre os municípios com maior número de registros estão Duque de Caxias (419), São Gonçalo (417), Maricá (325) e Nova Iguaçu (308).

Serviço
A Ouvidoria do MPRJ pode ser acessada pelo site: www.mprj.mp.br/comunicacao/ouvidoria/formulario
Telefones: 127 (RJ) ou (21) 3883-4600
Atendimento presencial: Av. Marechal Câmara, 370, Centro do Rio – das 9h às 17h (dias úteis)

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