Mauro Cid revela à Polícia Federal que assessor rasgou certificado falso de vacinação de Bolsonaro

Além disso, Câmara teria ordenado a exclusão dos registros que indicavam que ambos teriam recebido a vacina contra a Covid-19

Em um desdobramento das investigações sobre a falsificação de certificados de vacinação, o tenente-coronel Mauro Cid revelou em seu acordo de delação premiada que o coronel Marcelo Câmara, ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), teria rasgado os documentos falsificados do então mandatário e de sua filha, Laura Bolsonaro, de 12 anos.

Além disso, Câmara teria ordenado a exclusão dos registros que indicavam que ambos teriam recebido a vacina contra a Covid-19. Segundo a Polícia Federal (PF), esse episódio é parte de uma tentativa de “apagar os rastros das condutas criminosas”.

As revelações de Cid constam em um relatório no qual a PF solicitou o indiciamento de Bolsonaro, Cid, Câmara e outras 14 pessoas por suposta participação no esquema de falsificação de certificados de vacinação.

De acordo com o relatório, a PF cita trechos do depoimento de delação premiada de Cid, no qual ele admite ter produzido os documentos falsificados em nome de Jair e Laura Bolsonaro. Cid relata que “o coronel Câmara ficou sabendo dos fatos, rasgou os certificados do ex-presidente e sua filha Laura Bolsonaro e solicitou que o colaborador desfizesse as inserções”.

Posteriormente, os investigados teriam agido para excluir do sistema do Ministério da Saúde os registros falsos da vacinação de Bolsonaro. O relatório da PF argumenta que “os elementos de prova apresentados demonstram que o vínculo associativo dos investigados foi estabelecido, não apenas para executar as inserções falsas dos dados de vacinação, mas também na atuação em unidade de desígnios para suprimirem os dados que comprovariam os ilícitos praticados pelo grupo criminoso”.

Em resposta, a defesa de Marcelo Câmara confirmou o relato de Mauro Cid e informou que aguardará acesso integral à investigação para emitir um posicionamento mais completo.

Marcelo Câmara, que atuava na Presidência durante o governo Bolsonaro, foi preso preventivamente em fevereiro deste ano em uma investigação sobre uma suposta tentativa de golpe de Estado.

Os advogados de Bolsonaro lamentaram o vazamento da informação sobre o indiciamento do ex-presidente pela PF, enfatizando que o processo deveria ter um caráter técnico e procedimental, em vez de midiático e parcial. Além disso, afirmaram que Bolsonaro não se vacinou contra a Covid-19 ao viajar para os Estados Unidos em dezembro de 2022, e que ao retornar ao Brasil, em março de 2023, testou negativo para a doença. Alegaram ainda que, por possuir passaporte diplomático, Bolsonaro não precisava apresentar comprovante de imunização.

Com informações de O Globo

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