Manifesto da maioria de diretórios do MDB rejeita apoio a Lula e prega neutralidade

Documento é uma reação às articulações do PT para que o partido indique o vice na chapa de Lula

Mais da metade dos diretórios estaduais do MDB assinou um manifesto defendendo a neutralidade do partido na eleição presidencial de 2026 e rechaçando uma eventual aliança com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O documento será entregue nesta terça-feira (3) ao presidente nacional da legenda, o deputado Baleia Rossi (SP).

O movimento busca reagir às articulações do PT para que o MDB indique o vice na chapa de reeleição de Lula, repetindo a estratégia adotada em 2022 com Geraldo Alckmin (PSB). A ala contrária ao acordo quer demonstrar que a proposta não tem respaldo majoritário dentro da sigla.

Pressão sobre a Executiva Nacional

Um dos líderes da iniciativa é o vice-governador de Goiás, Daniel Vilela, presidente estadual do MDB, que afirma ser “absolutamente zero a chance de o MDB se coligar com o PT em nível nacional”. Ele também liderou a mobilização entre os estados para consolidar o texto.

Assinam o manifesto presidentes de 16 diretórios estaduais, além do comando da Fundação Ulysses Guimarães. Entre eles estão dirigentes de São Paulo e Minas Gerais, além de três vice-governadores que assumirão o Executivo até abril e disputarão a reeleição: Vilela (GO), Gabriel Souza (RS) e Ricardo Ferraço (ES).

Autonomia nos estados

O grupo defende que a direção nacional adote postura de independência e garanta autonomia aos diretórios para decidir alianças regionais. Na prática, isso permitiria que estados do Nordeste apoiem Lula, enquanto Sul, Sudeste e Centro-Oeste tendem a se alinhar a nomes de centro ou direita.

Também endossam o texto prefeitos de capitais governadas pelo MDB, como Ricardo Nunes (São Paulo) e Sebastião Melo (Porto Alegre), que rejeitam aproximação com o PT em seus estados.

Reação às articulações do PT

A ofensiva interna ocorre após declarações de lideranças petistas e de emedebistas favoráveis à coligação, como integrantes dos diretórios de Alagoas e Pará. O ministro dos Transportes, Renan Filho, e o governador Helder Barbalho são citados como possíveis nomes para a vice.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) chegou a afirmar que a proposta teria maioria na convenção nacional de junho. Para os críticos, porém, a indefinição gera ruídos e pode afastar filiações às vésperas da janela partidária.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading