Lula chamou dono da Refit de ‘grande chefe do crime organizado’ e pediu prisão do empresário a Trump

Sem citar Ricardo Magro nominalmente, presidente relacionou empresário investigado pela PF ao combate ao crime organizado e cobrou cooperação dos EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem elevado o tom nos últimos meses ao comentar investigações envolvendo o empresário Ricardo Magro, controlador do grupo Refit e dono da antiga Refinaria de Manguinhos, alvo de prisão em operação da PF contra fraudes no setor de combustíveis.

Sem citar diretamente o nome do empresário, Lula passou a associar publicamente um “grande chefe do crime organizado” a um dos maiores devedores tributários do país e afirmou ter pedido ajuda ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para localizar e deportar brasileiros investigados que vivem em Miami.

As declarações ocorreram em meio ao avanço de operações policiais e fiscais contra o grupo Refit, alvo de investigações sobre supostas fraudes fiscais, ocultação patrimonial, lavagem de dinheiro e evasão de recursos ao exterior.

Nesta sexta-feira (15), a Polícia Federal deflagrou a Operação Sem Refino, considerada uma das maiores ofensivas recentes no setor de combustíveis. A investigação mira Ricardo Magro, o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL), agentes públicos e empresários ligados ao grupo.

A operação resultou em 17 mandados de busca e apreensão, sete medidas de afastamento de função pública, bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros e inclusão de investigados na difusão vermelha da Interpol.

Lula cita empresário em conversa com Trump

As referências mais contundentes de Lula ao empresário começaram ainda em dezembro do ano passado.

Durante discurso sobre ações de combate ao crime organizado, o presidente afirmou ter conversado diretamente com Donald Trump sobre cooperação internacional envolvendo um empresário brasileiro do setor de combustíveis que viveria nos Estados Unidos.

Sem mencionar nominalmente Ricardo Magro, Lula declarou:

“Eu liguei para o Trump dizendo pra ele que se ele quiser enfrentar o crime organizado, nós estamos à disposição. E mandei para ele no mesmo dia a proposta do que nós queremos fazer. Disse para ele, inclusive, que um dos grandes chefes do crime organizado brasileiro, que é o maior devedor deste país, que é importador de combustível fóssil, mora em Miami. Então, se quiser ajudar, vamos ajudar prendendo logo esse aí”.

A declaração provocou forte repercussão política e empresarial, principalmente por ocorrer em meio ao avanço das investigações envolvendo o grupo Refit.

Nos bastidores do governo federal, o tema passou a ser tratado como uma das prioridades dentro das ações de combate à sonegação fiscal e às estruturas financeiras consideradas estratégicas para organizações criminosas.

Pressão aumentou após operação em refinaria

Em fevereiro, durante viagem oficial à Índia, Lula voltou a mencionar o caso ao comentar operações de fiscalização e interdições realizadas no setor de combustíveis.

Sem citar diretamente Magro ou a Refit, o presidente relembrou a operação realizada em setembro do ano passado, quando cargas ligadas à refinaria foram alvo de medidas de fiscalização.

“Nós bloqueamos 250 milhões de litros de gasolina em cinco navios, entregamos para Petrobras, Essa pessoa mora em Miami, nós mandamos para o presidente Trump a fotografia da casa dele, o nome dele. E nós queremos essa pessoa no Brasil. É para combater o crime organizado? Então nos entregue os nossos bandidos ”, afirmou.

As falas ampliaram a pressão política sobre o empresário e reforçaram o discurso do governo federal de endurecimento contra estruturas financeiras investigadas por fraudes fiscais e lavagem de dinheiro.

Refit no centro das investigações

Controlada por Ricardo Magro desde 2008, a antiga Refinaria de Manguinhos passou a ocupar posição central em uma série de investigações conduzidas pela Polícia Federal, Receita Federal, Ministério Público e Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

As apurações apontam suspeitas de utilização de empresas interligadas, fundos de investimento e estruturas offshore para ocultação de patrimônio e movimentação financeira irregular.

Segundo a Receita Federal, o grupo é apontado como um dos maiores devedores tributários do país.

Em novembro de 2025, a Operação Poço de Lobato apontou que empresas ligadas ao conglomerado teriam movimentado mais de R$ 70 bilhões em apenas um ano.

Além das investigações financeiras, a refinaria também passou a enfrentar problemas regulatórios.

Em janeiro deste ano, a ANP decretou a interdição total da unidade após identificar falhas consideradas graves nos sistemas de segurança industrial e combate a incêndios.

Segundo a agência, a refinaria representava risco grave e iminente à segurança de trabalhadores e terceiros.

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