Lisboa começa a recuperar energia após apagão, mas não há previsão para normalização total

Autoridades portuguesas priorizam abastecimento de hospitais

Lisboa e outras regiões de Portugal começaram, na noite desta segunda-feira (28), a ter o fornecimento de energia elétrica parcialmente restabelecido após o apagão que afetou a Península Ibérica desde o fim da manhã. Segundo reportagem do jorna português O Público, reproduzida por O Globo, o centro da capital portuguesa voltou a ter luz por volta das 20h45 no horário local (16h45 em Brasília), enquanto em algumas zonas do Grande Porto o fornecimento foi retomado ainda mais cedo, às 20h20.

Apesar dos avanços, o administrador das Redes Energéticas Nacionais (REN), João Faria Conceição, afirmou em entrevista coletiva que ainda não há previsão para a normalização total do sistema. “A normalização total é difícil de prever. A prioridade agora são os consumos prioritários, como os hospitais”, explicou. Segundo ele, a expectativa era que a energia voltasse à Grande Porto em cerca de duas horas, enquanto Lisboa deveria demorar mais, com uma previsão inicial de cinco a seis horas para a retomada de setores essenciais.

De acordo com a REN, cerca de 750 mil consumidores já haviam tido o fornecimento regularizado até o fim da tarde. Em paralelo, a Espanha informou que a situação estava estabilizada em 50% do país.

Causas ainda sob investigação

O motivo do blecaute, que deixou Portugal e Espanha praticamente sem energia por horas, ainda está sob investigação. Conceição relatou que o sistema elétrico português sofreu uma “grande oscilação de tensões” proveniente da rede espanhola, o que acabou provocando um desequilíbrio geral. “Ainda não temos toda a certeza sobre as causas”, disse o executivo, ao descartar, no momento, qualquer confirmação sobre a hipótese de ataque cibernético.

A versão do administrador foi corroborada pelo primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, que também afirmou ser prematuro apontar uma origem deliberada para o apagão. “Eu creio que é importante dizer que não está nada afastado, mas não há nenhuma indicação também que aponte nesse sentido”, declarou.

Enquanto isso, autoridades espanholas e portuguesas seguem avaliando as possíveis causas do evento. O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, citou uma “forte oscilação” na rede elétrica europeia como provável origem da falha. Já o ministro da Presidência de Portugal, Leitão Amaro, atribuiu o problema a um defeito na rede de distribuição espanhola.

Operação de emergência

Em resposta à crise, o governo português ativou rapidamente duas centrais energéticas locais — a hidrelétrica de Castelo de Bode e a termelétrica de Tapada do Outeiro — para reforçar o abastecimento interno. O esforço foi essencial para iniciar o restabelecimento em áreas prioritárias, como hospitais e serviços públicos.

Apesar das especulações iniciais, como a possibilidade de um ataque cibernético russo, tanto a Comissão Europeia quanto o Conselho Europeu e outras autoridades descartaram, até o momento, sinais de uma ação deliberada. O Instituto Nacional de Cibersegurança da Espanha (Incibe) também afirmou que está investigando, mas não encontrou provas concretas de ciberataque.

Por outro lado, a REN teve de desmentir informações falsas divulgadas após o apagão. Em entrevista ao New York Times, o porta-voz da companhia, Bruno Silva, classificou como “fake news” a hipótese de que um fenômeno atmosférico raro teria causado o blecaute. “Isso tem causado uma dor de cabeça enorme”, afirmou Silva.

Situação ainda demanda cautela

Com a energia sendo retomada de forma gradual, a prioridade nos dois países segue sendo a estabilização do fornecimento em áreas críticas. O Conselho de Segurança Nacional da Espanha foi acionado para acompanhar a evolução do quadro.

Embora parte da população já tenha tido o serviço restabelecido, autoridades alertam que a situação ainda é instável e que as causas definitivas só deverão ser conhecidas após análises técnicas mais aprofundadas.

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