Um dia após a apuração do Carnaval do Rio 2026, a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) divulgou as justificativas dos jurados que impactaram diretamente o resultado do Grupo Especial. Empatadas em segundo e terceiro lugares, Beija-Flor de Nilópolis e Unidos de Vila Isabel ficaram a apenas um décimo da campeã Unidos do Viradouro.
Entre luzes apagadas, esculturas danificadas e problemas de harmonia, os detalhes técnicos fizeram a diferença na disputa mais acirrada dos últimos anos. As avaliações reforçam como cada quesito pode ser decisivo na corrida pelo título na Marquês de Sapucaí.
As justificativas foram publicadas nesta quinta-feira (19), trazendo à tona os pontos exatos que custaram décimos preciosos às agremiações que sonhavam com o campeonato.
Iluminação e esculturas tiram décimos da Beija-Flor
A Beija-Flor perdeu um décimo no quesito alegorias e adereços. Embora tenha recebido duas notas 9.9, uma delas foi descartada por ser a menor, mantendo-se o desconto na soma final.
A jurada Aislane Reis apontou que a alegoria número 5 cruzou seu módulo com falhas de iluminação. Segundo o relatório, esculturas de velas posicionadas ao lado de uma santa passaram, em sua maioria, apagadas pela Avenida, comprometendo o efeito visual planejado.
No módulo seguinte, o jurado Madson Oliveira também retirou um décimo ao identificar problemas estruturais: uma asa quebrada na escultura de um beija-flor (alegoria 1), além de cabeça e traseira descascando em outro carro (alegoria 4). As velas apagadas também foram mencionadas novamente como falha de acabamento.
Harmonia prejudica Vila Isabel na reta final
A Unidos de Vila Isabel perdeu um décimo no quesito harmonia por “canto insuficiente” em algumas alas. O jurado Jardel Maia Rodrigues registrou que componentes praticamente cantaram apenas o refrão do samba-enredo.
De acordo com a justificativa, as alas 03, 04, 19 e 21 apresentaram desempenho abaixo do esperado. O mesmo problema foi destacado pela jurada Júlia Félix, que também aplicou nota 9.9 ao observar que integrantes das alas 03 e 04 não cantaram a letra na íntegra.
Apesar de uma das notas ter sido descartada, o desconto mantido foi determinante no resultado final. Curiosamente, o samba da escola foi um dos mais celebrados do pré-carnaval e chegou a ser apontado como favorito entre críticos e público.
Detalhe no figurino impacta mestre-sala e porta-bandeira
A Beija-Flor ainda recebeu outro 9.9 — também descartado — no quesito mestre-sala e porta-bandeira. O jurado Fernando Zikan justificou a perda de décimo pelo contraste do sapato preto usado por Claudinho, considerado visualmente destoante do traje predominantemente vermelho.
Segundo o relatório, o calçado apresentado na Avenida diferia da imagem anexada previamente no livro-abre-alas, o que influenciou a avaliação estética do conjunto.
O desconto acabou não impactando a soma final, mas reforça como detalhes mínimos são analisados com rigor técnico durante o julgamento.
Viradouro campeã também teve ressalvas
A Unidos do Viradouro conquistou o título com nota máxima, mas também recebeu duas notas 9.9 — ambas descartadas. Uma delas foi no quesito fantasias, após apontamentos sobre costeiros com forração incompleta na ala 9 e estruturas caídas na ala 11.
No samba-enredo, o jurado Alessandro Ventura mencionou “seções musicais com direcionamento inconcluso” durante a apresentação. Ainda assim, os descartes garantiram que a vermelho e branca mantivesse a pontuação perfeita na soma oficial.
As justificativas mostram que, no Carnaval do Rio, cada detalhe técnico pode ser decisivo. Em um campeonato definido por apenas um décimo, luzes apagadas, falhas estruturais e canto irregular foram suficientes para mudar o rumo do título.
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