Israel intensifica ataques no Líbano, destrói pontes e indica possível invasão

Ofensiva mira infraestrutura no sul libanês e levanta alerta internacional sobre repetição do cenário de Gaza

A escalada militar de Israel no Líbano ganhou novos contornos nos últimos dias, com ataques direcionados à infraestrutura civil e estratégica no sul do país. A destruição de pontes, estradas e vilarejos levanta temores de uma invasão terrestre iminente e reforça comparações com a ofensiva conduzida por Israel na Faixa de Gaza desde 2023.

No domingo, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, ordenou a destruição de todas as pontes sobre o rio Litani que, segundo ele, estejam sendo utilizadas para atividades do Hezbollah. A medida também incluiu a aceleração da demolição de casas em vilarejos próximos à linha de contato.

A estratégia foi classificada pelo presidente libanês, Joseph Aoun, como um “prelúdio para uma invasão terrestre”, aumentando a tensão regional.

Infraestrutura destruída isola sul do país

Entre os principais alvos está a ponte Qasmyieh, considerada a principal ligação entre o sul do Líbano e outras regiões do país. A estrutura, conhecida como “Artéria do Sul”, foi destruída por bombardeios israelenses no fim de semana, interrompendo rotas essenciais de transporte e suprimentos.

Outras pontes também foram atingidas, incluindo a de Dalafa, no leste do país. Ambas já haviam sido alvos em conflitos anteriores, como a guerra de 2006 e a invasão israelense de 1982.

Segundo o governo libanês, os ataques representam uma violação grave da soberania nacional e ampliam o risco de isolamento da população civil.

Escalada militar e impacto humanitário

Desde a intensificação do conflito, Israel ampliou os bombardeios contra áreas consideradas redutos do Hezbollah, incluindo regiões no Vale do Bekaa e subúrbios ao sul de Beirute, como Dahiyeh.

Relatos indicam que ataques atingiram não apenas alvos estratégicos, mas também equipes de resgate e instalações médicas. A Anistia Internacional classificou essas ações como possíveis crimes de guerra.

De acordo com o Ministério da Saúde libanês, mais de mil pessoas morreram e cerca de um milhão foram deslocadas. Muitos civis permanecem nas ruas da capital, sem perspectiva de retorno às suas casas.

Comparações com Gaza aumentam preocupação

Declarações de autoridades israelenses reforçam a percepção de que a operação no Líbano segue o mesmo padrão adotado na Faixa de Gaza. Integrantes do governo afirmaram que pretendem replicar a estratégia de destruição ampla de estruturas associadas ao Hezbollah.

O ministro Bezalel Smotrich chegou a afirmar que áreas do sul de Beirute poderão “se parecer” com cidades devastadas em Gaza, como Khan Younis.

Além disso, panfletos lançados sobre Beirute mencionaram o “sucesso militar” israelense no território palestino, sugerindo uma possível expansão da ofensiva.

Risco de invasão terrestre e zona tampão

Analistas avaliam que a destruição sistemática de infraestrutura pode abrir caminho para a criação de uma zona tampão no sul do Líbano, semelhante a outras áreas de ocupação já estabelecidas por Israel na região.

A estratégia inclui o bloqueio de rotas, restrição de deslocamento de civis e controle de suprimentos — táticas já utilizadas em Gaza, onde o controle territorial impactou diretamente a população.

O chefe humanitário da ONU, Tom Fletcher, alertou para o risco de o Líbano seguir o mesmo caminho: “Temo que o país se torne a próxima Gaza”, afirmou.

Destruição em massa e alerta internacional

A política de ataques a residências e infraestrutura civil tem sido comparada ao conceito de “domicídio”, que descreve a destruição sistemática de habitações essenciais à sobrevivência de uma população.

Relatório recente do relator da ONU, Balakrishnan Rajagopal, aponta que esse tipo de ação pode violar o direito internacional humanitário.

Enquanto isso, a escalada militar continua a provocar preocupação global, diante do risco de ampliação do conflito e agravamento da crise humanitária no Oriente Médio.

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