Israel amplia ofensiva no sul do Líbano e deixa 14 mortos apesar de apelos por trégua

Ministro da Defesa israelense reafirma continuidade das operações contra o Hezbollah; governo libanês contabiliza quase 3.500 ataques desde o cessar-fogo de abril

Ataques realizados por Israel no sul do Líbano deixaram pelo menos 14 mortos nesta segunda-feira (8), segundo informações divulgadas pelo Ministério da Saúde libanês. A nova ofensiva ocorre em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio e apesar dos apelos internacionais para a manutenção do cessar-fogo.

As ações militares aconteceram após autoridades israelenses afirmarem que continuarão combatendo o Hezbollah em território libanês. A decisão foi mantida mesmo diante das advertências feitas pelo Irã e das manifestações públicas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em defesa da interrupção das hostilidades.

Entre as vítimas registradas na cidade de Zifta, localizada no distrito de Nabatieh, estão uma mulher e uma criança de nacionalidade síria. O Hezbollah informou ter realizado ataques contra tropas israelenses dentro do território libanês, mas não reivindicou operações em solo israelense.

Ataques atingem áreas urbanas e deixam feridos

Além dos bombardeios em Zifta, um ataque aéreo atingiu um veículo na cidade de Tiro, um dos principais centros urbanos do sul do Líbano. De acordo com a agência estatal libanesa NNA, o míssil foi lançado por Israel e atingiu um carro próximo a um edifício da Cruz Vermelha Libanesa.

A organização informou que quatro paramédicos ficaram feridos por estilhaços de vidro provocados pela explosão. O episódio aumentou a preocupação com os impactos da escalada militar sobre áreas civis e estruturas de atendimento humanitário.

Os novos confrontos ocorreram logo após Israel e Irã anunciarem o encerramento de uma sequência de ataques mútuos que ameaçou romper completamente o cessar-fogo e reacender uma guerra de maiores proporções na região.

Israel mantém pressão sobre o Hezbollah

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou que as Forças Armadas continuarão atuando contra o Hezbollah em território libanês. Pouco depois da declaração, o Exército israelense emitiu um alerta para evacuação de determinadas áreas da cidade de Tiro.

Katz também afirmou que os subúrbios de Beirute, considerados redutos do grupo xiita, poderão ser alvo de novas retaliações sempre que ocorrerem ataques contra o norte de Israel.

Segundo o ministro, o governo israelense rejeita qualquer tentativa do Irã de ampliar sua influência sobre o conflito envolvendo o Líbano. A declaração reforça a disposição de Tel Aviv em manter sua estratégia militar mesmo diante da pressão internacional.

Trégua reduz ataques, mas não encerra confrontos

Durante o fim de semana, Israel realizou bombardeios contra posições ligadas ao Hezbollah em Beirute. Em resposta, o Irã lançou mísseis contra território israelense. A suspensão dos ataques diretos entre os dois países foi anunciada nesta segunda-feira após pressão diplomática dos Estados Unidos.

Apesar da redução temporária das hostilidades, o governo iraniano defende que qualquer acordo regional deve contemplar a situação do Líbano. O entendimento entre Teerã e Tel Aviv não interrompeu completamente as operações militares no país vizinho.

O governo libanês afirma que Israel jamais encerrou sua campanha militar desde a assinatura da trégua mediada pelos Estados Unidos em 17 de abril.

Quase 3.500 ataques desde abril

Dados divulgados pelas autoridades libanesas apontam que o Exército israelense realizou 3.491 ataques aéreos e promoveu 407 operações de demolição desde o início do cessar-fogo.

Os números reforçam a avaliação de que a trégua permanece frágil e sujeita a sucessivas violações, mantendo o clima de instabilidade na fronteira entre os dois países.

A guerra também continua provocando uma grave crise humanitária. Segundo estimativas oficiais, mais de um milhão de pessoas foram deslocadas desde o início do conflito, o equivalente a cerca de 20% da população do Líbano.

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