Durante uma operação de fiscalização na terça-feira (15), o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) apreendeu cerca de 400 quilos de pescado capturado ilegalmente na Reserva Extrativista Marinha de Itaipu (Resex Itaipu), em Niterói, Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A informação foi publicada pela TV Globo e confirmada pelo próprio Inea. A ação contou com apoio da Polícia Federal e resultou na prisão de um homem por pesca predatória.
A equipe da Resex identificou duas embarcações cercando com redes um trecho do mar na Praia de Itacoatiara — área protegida da unidade de conservação. A prática é proibida e compromete o equilíbrio ambiental da região, especialmente pela captura de espécies ameaçadas de extinção. Entre os peixes apreendidos, estava um exemplar da raia-viola-brasileira (Pseudobatos horkelii), cuja pesca está proibida desde 2004 por ser uma espécie criticamente ameaçada.
Uma das embarcações conseguiu fugir, mas a outra foi interceptada. O dono do barco foi detido, levado à Delegacia da Polícia Federal de Niterói e, após prestar depoimento, foi liberado mediante pagamento de fiança. Ele foi autuado administrativamente pelo Inea e poderá pagar multa de até R$ 100 mil, com acréscimo de R$ 10 por quilo de pescado apreendido.
A carga foi avaliada por um médico veterinário e, por estar em condições adequadas para consumo, foi doada a cerca de 100 famílias das comunidades do Preventório e Rato Molhado, localizadas também em Niterói. A iniciativa aliou a repressão à atividade ilegal à solidariedade social, beneficiando populações vulneráveis.
Segundo o Inea, operações como essa serão intensificadas durante os próximos feriados, como Semana Santa, Tiradentes e São Jorge. A Resex Itaipu, com área de 3.943,58 hectares, abrange as praias de Itacoatiara, Itaipu, Camboinhas e Piratininga, além da Lagoa de Itaipu. A unidade tem como missão preservar o modo de vida dos pescadores artesanais tradicionais e garantir o uso sustentável dos recursos naturais da região.
A apreensão demonstra o papel da fiscalização ambiental como instrumento não apenas de proteção da biodiversidade, mas também de promoção da justiça social.





