A recente morte de Bianca Bernardon Zanella, de 11 anos, no Parque Nacional da Serra Geral, no Rio Grande do Sul, reacendeu o debate sobre a segurança em unidades de conservação brasileiras, cada vez mais abertas ao turismo de aventura e contemplação. O corpo da menina foi velado neste sábado (12), na Capela Vaticano, no bairro Bom Retiro, em Curitiba.
Responsável pelo Cânion Fortaleza, onde ocorreu o acidente, a concessionária Urbia Cânions Verdes afirmou, após o ocorrido, estar em dia com as políticas e os protocolos exigidos para a operação do equipamento turístico. “Turistas são orientados a adotarem as práticas adequadas para a atividade em meio às trilhas, sobretudo nas bordas dos cânions. Placas sinalizam o caminho e alertam os visitantes ao longo do trajeto, sobre os riscos e as precauções que devem ser tomadas”, diz a empresa.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão federal que administra a área, lamentou o acidente e informou estar prestando auxílio aos familiares da criança. Sobre o acidente no mirante, a instituição disse que não foram identificadas falhas sistêmicas na sinalização ou segurança, mas que revisará os procedimentos de visitação e eventualmente reforçará a segurança nos parques abertos à visitação.
O caso
Segundo relatos, a menina Bianca, que tinha transtorno do espectro autista, passeava com os pais e os irmãos, de 5 e 9 anos, no mirante do Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul (RS), na quinta-feira (10). Por volta das 13h30, a família decidiu descer para a base do cânion, onde funciona uma lanchonete. A mãe foi na frente com os filhos mais novos; o pai ficou responsável por Bianca, que correu em direção à borda do penhasco. Ele tentou segurá-la, mas não conseguiu impedir a queda.
A operação de resgate mobilizou bombeiros de Canela, Gramado, Porto Alegre e a Brigada Militar, com apoio de drones. O corpo da menina foi localizado cerca de 70 metros abaixo do ponto de queda, mas o difícil acesso e o mau tempo atrasaram os trabalhos. Por volta das 23h, a equipe conseguiu chegar ao local e constatou o óbito. O laudo de necropsia apontou politraumatismo como causa da morte.
A Delegacia de Polícia de Cambará do Sul conduz o inquérito, que está em fase inicial. Novas diligências ainda deverão ser feitas, incluindo perícia técnica para verificar as condições de sinalização e segurança no trecho onde ocorreu o acidente.





