O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se reunirá nesta sexta-feira (14) com representantes do setor financeiro em São Paulo, uma semana após o encontro que gerou especulações sobre uma possível mudança no arcabouço fiscal. A reunião ocorrerá às 9h30 no gabinete do Ministério da Fazenda na capital paulista. De acordo com a agenda de Haddad, participarão Isaac Sidney, presidente da Febraban, André Esteves, fundador do BTG Pactual, Milton Maluhy (Itaú), Marcelo Noronha (Bradesco) e Mário Leão (Santander).
Na semana passada, após uma reunião de Haddad com Leão e outros membros do mercado financeiro, surgiram rumores de uma possível alteração nas regras que regem o crescimento dos gastos públicos, resultando em uma alta de 1,43% no dólar naquele dia. Participantes da reunião afirmaram que o ministro mencionou que qualquer contingenciamento de gastos dependeria do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que o arcabouço fiscal poderia ser modificado.
Haddad, no entanto, negou essas alegações, classificando o vazamento de informações como “muito grave” e “irresponsável”. Ele afirmou que não disse que o arcabouço fiscal poderia ser alterado e lamentou o comportamento de quem divulgou informações falsas. Haddad reforçou que seu discurso pode ser verificado com o CEO do Santander, presente na reunião, que não se pronunciou sobre o assunto.
A reunião desta sexta-feira acontece também após a derrota de Haddad na tentativa de obter receitas para compensar a desoneração da folha de pagamentos. Uma medida provisória que restringia o uso de créditos tributários do PIS/Cofins foi devolvida pelo Congresso, aumentando a percepção de enfraquecimento do ministro. Em defesa de Haddad, o presidente Lula, em viagem a Genebra, afirmou: “Eu não tenho nada contra o Haddad. O Haddad é um extraordinário ministro”.
Após a cotação do dólar atingir R$ 5,430 na quarta-feira (12), a moeda recuou para R$ 5,367 hoje. A queda foi motivada principalmente pelo discurso de Haddad sobre a intensificação da revisão de gastos do governo e manifestações de apoio ao ministro.
Haddad, ao lado da ministra Simone Tebet (Planejamento), declarou após uma reunião da equipe econômica que pediu um ritmo mais intenso nos trabalhos sobre a agenda de corte de gastos. Ele afirmou que o governo está construindo um extenso conjunto de alternativas para o Orçamento de 2025, visando garantir tranquilidade nas questões fiscais do país.
O governo deve apresentar ao Congresso sua proposta de Orçamento para o próximo ano até 31 de agosto. A equipe econômica está calculando como atender à meta de déficit zero prevista para 2025. Haddad destacou a importância de uma revisão ampla para acomodar as pretensões do Congresso e do Executivo, assegurando a estabilidade fiscal para o próximo ano.
Com informações da Folha de S. Paulo.





