Grupo Pão de Açúcar negocia recuperação extrajudicial para reorganizar dívida bilionária

Plano envolve cerca de R$ 4,5 bilhões e não inclui débitos com fornecedores, clientes ou funcionários

A Companhia Brasileira de Distribuição (GPA), responsável pela rede Pão de Açúcar, anunciou nesta terça-feira (10) um acordo com parte de seus credores para apresentar um plano de recuperação extrajudicial. A proposta prevê a renegociação de aproximadamente R$ 4,5 bilhões em dívidas sem garantia.

Segundo a empresa, a medida não inclui compromissos com fornecedores, parceiros comerciais, clientes ou trabalhadores. Esses grupos, portanto, não serão impactados pela reestruturação financeira.

O plano já conta com o apoio de credores que concentram 46% do valor total da dívida envolvida. Pela legislação, a adesão mínima necessária para validar a proposta é de um terço dos créditos afetados.

Em comunicado ao mercado, o GPA informou que o acordo permite suspender temporariamente o pagamento das obrigações incluídas no plano, criando um prazo de 90 dias para ampliar as negociações com os demais credores.

A companhia afirma que pretende aproveitar esse período para buscar uma solução mais ampla, capaz de resolver tanto as necessidades imediatas de caixa quanto garantir estabilidade financeira no longo prazo.

Recuperação extrajudicial

A recuperação extrajudicial é um mecanismo utilizado por empresas para renegociar dívidas diretamente com credores, sem necessidade de autorização prévia da Justiça. O processo permite reorganizar o passivo financeiro enquanto as operações seguem normalmente.

Após a divulgação da medida, as ações do GPA reagiram negativamente no mercado. Os papéis chegaram a cair 8,8% na abertura do pregão e, minutos depois, reduziram as perdas para cerca de 4%, entre as maiores quedas do Ibovespa na manhã desta terça. No acumulado do ano, a desvalorização das ações já se aproxima de 30%.

A empresa enfrenta vencimentos importantes nos próximos anos. Atualmente, cerca de R$ 1,7 bilhão em dívidas têm prazo de pagamento previsto para 2026. Além disso, o grupo apresenta capital circulante negativo de R$ 1,22 bilhão, o que indica pressão sobre o caixa no curto prazo.

Apesar do cenário financeiro, a empresa informou que as lojas continuarão funcionando normalmente e destacou que permanece em dia com pagamentos a fornecedores e parceiros comerciais.

A decisão de iniciar o processo de recuperação extrajudicial foi aprovada por unanimidade pelo conselho de administração da companhia. O fato relevante divulgado ao mercado foi assinado por Pedro Vieira Lima de Albuquerque, vice-presidente de Finanças e diretor de Relações com Investidores.

No começo do mês, o grupo já havia comunicado que mantinha negociações com credores para reestruturar dívidas financeiras e outras obrigações de curto prazo. Para conduzir o processo, a empresa contratou o escritório Munhoz Advogados, especializado em reestruturação de empresas.

Reestruturação em curso

O GPA passa por um processo de reorganização desde 2021, com foco na venda de ativos considerados não essenciais e na redução do endividamento.

Nesse período, o grupo vendeu 71 lojas da rede Extra para o Assaí Atacadista, além de se desfazer de sua participação no Grupo Éxito, da Colômbia. A companhia também negociou imóveis e postos de combustíveis, levantando mais de R$ 1,5 bilhão.

Mesmo com essas iniciativas, analistas da XP Investimentos avaliam que a empresa ainda enfrenta dificuldades para gerar caixa suficiente após o pagamento das despesas financeiras — fator que contribuiu para a decisão de recorrer à recuperação extrajudicial.

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